Tuesday, November 25, 2008

Cada atividade profissional tem o Deny que merece

Há uns anos atrás o apresentador de um daqueles programas de televisão com aquela iluminação tosca que deixa transparecer a secreção das glândulas sebáceas nos rostos do público se engraçou para uma das garotinhas menores de idade que frequentavam a platéia do seu programa, muitos quiseram linchá-lo. Ele foi demitido da emissora e então caiu no ostracismo. Ninguém nunca mais ouviu falar nem dele nem do caso, que pela gravidade, deveria ser naturalmente de polícia. Bem, eu já falei aqui de Marcelo Camelo em outro post e fatos que vieram à tona esta semana, mas que já tinham sido sugeridos no Festival Molotov em Recife, quando claramente Marcelo Camelo apertou as costas da menina de 16 anos com uma daquelas pegadas que se dão na moça quando está rolando sexo, confirmam que ele é de fato um perdedor. Eu concordo que seja plausível a idéia de que todo cara próximo dos 30 anos de idade tenha desejos sexuais por meninas novinhas, conhecidas popularmente como ninfetas. Eu concordo também que, caso se tenha a chance, deva-se comer uma menina novinha, desde que se possa evitar cometer crimes previstos pelo código penal brasileiro. Mas estar com essa idade e namorar uma menina dessas, só demonstra que o cidadão perdeu a capacidade de convencer alguma mulher com uma idade mais próxima dos 30 de dar pra ele. Mas como eu disse antes, Marcelo Camelo é exatamente um perdedor.

Tuesday, October 28, 2008

O boêmio e o surfista

O surfe é um esporte de alto rendimento aeróbico e muscular. Uma noitada normalmente gera no dia posterior uma tremenda desidratação, dores hepáticas, fadiga muscular, e mais uma série de outras mazelas que em conjunto são conhecidas popularmente como ressaca. Esses fatos seriam suficientes para atestar que algumas pessoas têm as suas vidas determinadas por um dilema existencial, a saber: ser boêmio ou ser surfista? Como habitamos uma cidade cujas praias são propensas à aproximação de elasmobrânquios, é quase batido o fato de que aqueles que quiserem surfar têm que fazer uma viagem de no mínimo 45 minutos para chegar à praia onde o risco de ataque desses animais vorazes é baixo. E como as pessoas exercem atividades estudantis ou profissionais nos dias úteis para garantir o seu próprio sustento, viagens desse tipo se tornam possíveis praticamente apenas nos finais de semana e feriados. Mas é exatamente nesses dias (e nas vésperas dos mesmos) que acontecem as atividades lúdicas mais interessantes. Festas, bares e boates sempre nos oferecem os prazeres da vida à noite. Nestas atividades, normalmente nos deparamos com uma oferta considerável e a custo razoável de bebidas alcoólicas e comidas de baixo teor nutritivo e alto teor calórico, tais como caldinhos, espetinhos, crustáceos e pipoca. Alguns ainda aproveitam a oferta de tabaco e de tetra-hidrocarbinol. O consumo de tais produtos pode propiciar às pessoas momentos verdadeiros de felicidade e regozijo, cujos benefícios chegam a superar os custos exigidos por uma ressaca. Por outro lado, dropar uma onda (de pelo menos uns 5 pés) e descê-la até o seu final é uma sensação quase orgasmática. O problema é que para fazer isso, o surfista precisa passar por algumas etapas e arcar com alguns custo. A primeira é entrar no mar e alcançar o ponto de formação das ondas. Essa etapa exige fôlego, força e certas técnicas específicas como o popular cavalinho. Quando dentro do mar, o surfista precisa se deslocar constantemente numa direção paralela à linha de arrebentação para alcançar os pontos onde a onda cava e encaixa o sistema surfista-prancha. Isso exige fôlego e resistência muscular. Por fim, o surfista precisa, ao estar localizado em algum dos pontos críticos da onda, remar com toda a potência muscular de que dispõe, para dropar no tempo correto. Ou seja, para um bom dia de surfe, o atleta deve estar em condições próximas das ótimas no quis diz respeito ao fôlego, à elasticidade e à potência musculares e ao sono, condições que uma noitada, por meio do seu efeito mais deletério, não pode propiciar. Como resolver então tal dilema existencial? A simples escolha de um dos dois implica no que os economistas chamam de custo de oportunidade. Esse conceito versa simplesmente sobre o custo de não escolher uma das opções e em conseqüência não aproveitar os seus benefícios. Se escolher ser surfista, o indivíduo não poderá aproveitar os prazeres de ser boêmio. Se escolher ser boêmio, não poderá aproveitar os benefícios de ser surfista. Escolher ser meio surfista e meio boêmio também não é razoável, pois o indivíduo pode acabar arcando com os custos de ser cada um sem aproveitar os benefícios de ser cada um. Escolher nenhum dos dois e ficar em casa na noite de sexta e no dia do sábado é uma opção irrealista. Enfim, eis mais um dilema existencial da nossa civilização.

Friday, October 10, 2008

Auto da crise econômica

personagens: credor, devedor e terceiro

primeiro ato
credor diz pro devedor:
- eu te empresto esses 10, mas vc me paga 12, blz?
devedor responde:
- blz, meu jovem!

segundo ato
credor diz pro terceiro:
-lembra daqueles 12 que eu te pedi?
terceiro responde:
claro, seu filho da puta! vai me pagar quando?
credor responde:
vou te pagar quando o devedor me pagar os 12 que me deve.

terceiro ato
crise no sistema

Wednesday, October 8, 2008

Reflexão estético-sociológica sobre o bigode

De tanto que caiu em desuso, a palavra “bigode”, por si só, já soa estranha e pejorativa. Bi-go-de. Pesquisando na memória virtual coletiva, a internet, não achei nenhuma explicação acreditável para sua etimologia. Num blog concorrente achei isso. É difícil imaginar que só foram inventar um nome pra essa saliência de pêlos logo acima da boca e abaixo do nariz depois que conheceram os tais visigodos aí. Só lembrando que a memória virtual coletiva às vezes falha também. Mas enfim, o bigode. Hoje se nota claramente um enojamento da sociedade com esse artefato estético dos homens. “Principalmente” dos homens, pois é sabido que muitas mulheres também o possuem, porém com um eufemismo, “buço” (muito mais singelo). Aliás, o que seria de Frida Kahlo sem o seu famoso biguço? No entanto, vamos deixar o buço das mulheres de lado. Vamos falar de bigode. Como já ia dizendo, a sociedade moderna, descolada, hi-tech repugna o bigode. É só olhar para as celebridades, essa galera do showbusiness pesado mesmo, quantos que você conhece deixam o bigodinho? - Barba completa não vale-. Não falo nem dos galãs, mas presidentes, atletas, músicos, apresentadores de TV, atores, jornalistas, big brothers etc. Dá pra contar nos dedos. Nem padeiro português usa mais, é anti-higiênico. Experimenta deixar o bigode... Se você se olhar no espelho e conseguir sair do banheiro, vai sentir o controle social agindo fortemente, sua mulher, namorada, irmã, avó, tia, a vizinha fofoqueira. Bigode de cobrador! Ou então... Seu Madruga! Trafica colombiano! Pablo Escobar! Essas coisas. Bigode não pode! É consenso. Aí é que está, é consenso. E tudo que é consenso, nas mãos dos alternativos da vez, vira pelo avesso. Tanto que é relativamente fácil perceber uns bigodinhos no pessoal, digamos, Cult. Johnny Deep, que, aliás, já fora muito mais símbolo Cult (antes, claro, dos Piratas da Disney), vez por outra aparece de bigode, Gael Garcia Bernal, galã das menininhas Cults, também cultiva(desculpa aí) um bigodinho. Músicos também. O cara do Justice, The Killers etc. Daqui a pouco vira coisa de descolado, aí depois vira moda e vai até ter jogador de futebol usando de novo. Rivelino’s style. É que nem cabelo moicano. Há algumas décadas era coisa de punk, hoje é coisa de criancinha. Dizem que, assim como a história, a moda é cíclica. Se de fato for, bigodes heróicos como do aloprado Albert Einstein, do não menos aloprado Charles Chaplin, ou até o bigode locomotiva do alopradíssimo Nietzsche voltarão a povoar os rostos da moçada. Então é isso aí, é barba, cabelo e bigode! Opa... Tira o bigode. Bigode não pode!

Tuesday, October 7, 2008

A coca-cola e a gordurinha da picanha

Primeiramente, gostaria de pronunciar meu fastio desgostoso pelo liquido referido, tendo mais empatia pelos sucos tropicais, cerveja gelada e qualquer outro refrigerante. Voltando ao enfoque da questão, venho trazer à tona uma reflexão digna dos mais fervorosos debates possíveis em mesa de bar, mídia especializada e mexiricagem de comadres que deveriam em uníssono discutir a problemática causada pela ingestão edigestão desses alimentos. A coca-cola, mesmo com seus poderes degenerativos, se qualifica como uns dos produtos mais consumidos no mundo, consumido de forma tal que podemos nos perguntar como o homem pré-histórico sobreviveu aos longos períodos de seca, e de que forma seria a fama do papai Noel sem o seu contrato vitalício com a empresa. O fato é que, após uma única experiência que consistia em colocar pedaços de carne imerso em coca-cola, evidenciado por varias pessoas em sua infância e pré- adolescência comprova o poder destrutivo e maligno do liquido em questão, e quando o mesmo era posto em uma pia gordurosamente entupida as reações milagrosas promoviam o desentupimento, deixando a todos cada vez mais culpados por ingerir essa química tão poderosa. Estes fatos me fizeram, após anos de observações e leituras especializadas, refletir acerca do consumo da “gordurinha da picanha”, será que este delicioso e suculento manjar dos deuses, tão criticado pela medicina, estaria diante de seu antídoto, e vice e versa? E ainda lhes pergunto, será que coca-cola com tofu faz mal?

Monday, October 6, 2008

A velharia e a direita

Usando uma das operações filosóficas??? mais comuns aos jornalistas, simplifico a oposição ao PT no Recife, chamando-a de direita. Bem, findado o pleito eleitoral, acompanhou-se novamente uma derrota desse bloco. Tentaremos traçar aqui os motivos dela. Primeiramente é preciso informar ao leitor que eu acredito que o princípio de alternância das elites no poder é salutar para a democracia. Sendo assim, é importante achar os motivos por meio dos quais, um partido está se tornando dominante na cidade. E achar os motivos dessa terceira derrota da direita é oferecer explicações para o predomínio do PT. O primeiro motivo é óbvio: a administração de João Paulo foi tremendamente bem avaliada. Seria muito difícil derrotar um candidato indicado por ele. Mas os outros motivos podem ser encontrados na própria direita. Vamos a eles. Os candidatos da direita foram o ex-governador Mendonça Filho, que tinha sido o vice no governo de Jarbas Vasconselos e o ex-Secretário de Turismo desse mesmo governo e deputado federal Raul Henri. Mendonça Filho pertence a um partido decadente, o DEM, que resolveu sabe-se lá para que, mudar o seu nome recentemente. O DEM em Pernambuco foi bastante ligado em outras ocasiões às oligarquias do interior do estado, o que de fato vem mudando, mas há tempos não apresenta mais nenhum apelo político no Recife. Arrisco-me a dizer, que pelo menos 2/3 dos votos em Mendonça foram simplesmente votos anti-petistas. Note-se que a sua menor diferença em relação a João da Costa se deu em Boa Viagem, área historicamente pouco propensa a votar no PT. Mendonça já fora derrotado na última eleição para governador, em primeiro turno, com o apoio de Jarbas Vasconselos. Era no mínimo um devaneio acreditar que ele venceria uma eleição majoritária no Recife. Raul Henri é um político de pouca expressão e sempre esteve sob a sombra do ex-governador Jarbas Vasconselos. E isso talvez tenha sido a maior causa de sua desgraça. Jarbas é um belo exemplo de político decadente, que apesar de ser senador do estado, não deve passar desse mandato. Não consegue eleger nenhum candidato no Recife desde 1996. E nessa eleição, ele perdeu duas vezes. Perdeu quando não conseguiu reunir a direita sob uma candidatura e perdeu quando o seu candidato obteve um inexpressivo terceiro lugar. O principal motivo do lado da direita dessa última derrota é a incapacidade que o bloco de oposição ao PT no Recife tem para se arejar e renovar seus quadros. Mendonça fez um fim de governo inexpressivo e sofreu uma derrota em primeiro turno para governador, eleição em que o DEM e Jarbas ainda têm certa retumbância. Isso deveria ter servido para acabar com as possibilidades de ele se candidatar à prefeitura do Recife. Mas não, o DEM lançou a candidatura de Mendonça. Isso talvez tenha sido observado por Jarbas, que quis lançar um candidato diferente, mas o fato de o ex-governador se imaginar com alguma influência junto ao eleitorado recifense, fê-lo impor ao PMDB um candidato inexpressivo, cuja carreira é completamente associada a si. O resultado disso foi uma derrota, que deveria no mínimo servir para que Jarbas diminuísse bastante seu tom de voz dentro da direita recifense. E é esse o ponto crítico da explicação. A direita no Recife é um monumento à velharia. Compare-a com o exemplo do PT. João da Costa conseguiu, devidamente apoiado pelo prefeito, candidatar-se contra uma corrente poderosa no PT recifense liderada por Humberto Costa, quadro possivelmente dentro do nosso conceito de velharia, mas que em vez de tentar se lançar como candidato, tentou lançar Mauricio Rands, um quadro não tão novo como João da Costa, mas que ainda não disputou nenhuma eleição majoritária. A pragmática do PT é uma das razões do seu arejamento e em consequência uma das razões do seu domínio na política da cidade. Mas como a política é uma relação, é de se imaginar que a falta de renovação seja uma das razões para o fracasso da direita nos últimos anos. Particularmente considero que seria bastante salutar para a democracia se o PT fosse derrotado. Mas a vitória do PT deveria ter o efeito positivo, para a direita e para o princípio de alternância das elites no poder, de enterrar de vez a influência de políticos decadentes, como Jarbas Vasconselos, na direita e possibilitar o aparecimento de novos quadros. Mas o próprio Jarbas, em vez de ficar calado refletindo sobre a sua decadência, já lançou a candidatura de Sérgio Guerra para o governo do estado. Mais velharia, impossível. Se a direita fosse pragmática, lançaria um quadro novo do bloco (desligado das foças decadentes) na eleição para governador. Mesmo perdendo, esse novo quadro ganharia projeção e poderia se constituir em alternativa viável ao PT nas eleições municipais de 2012. Mas ao que parece, em tal eleição, ouviremos novamente a frase "todo poder ao PT".

Saturday, September 20, 2008

Uma ode ao perdedor

Compareci ontem ao Coquetel Molotov, evento indie que tem acontecido nos meses de setembro, de uns 4 anos até aqui, se eu não me engano. Apesar de não gostar nem um pouco da tendência musical que o evento tenta abarcar, fui para desfrutar do auê. Bem, não me deterei a comentar o evento em si e sim a apresentação do ex-vocalista da Los Hermanos, Marcelo Camelo e o clima de histeria da plateia que a acompanhou. Ah, gostaria também de adverti-los que não consegui ver o show inteiro, pois tive que sair várias vezes para vomitar. Portanto, esse post comunga do espírito do blog que é o de comentar coisas sobre as quais se conhece pouco. Pois bem, Marcelo Camelo é o protótipo do pirralho ginasial que sofria bouling. Levava babaus em todos os recreios, ninguém chamava ele para jogar bola e quando, pelo direito de pedir a próxima ele conseguia jogar, o time dele perdia. Até o dia em que nenhum dos seus colegas quis mais jogar com ele e ele desistiu de jogar futebol. Mesmo que isso não tenha acontecido, foi exatamente isso o que aconteceu, pois como diria Hegel o que vale é o espírito. Então ele resolveu aprender a tocar violão a fim de melhorar a sua situação social entre os seus pares. O que eu sei é que ele acabou encontrando um pessoal na UFRJ, enquanto estudava jornalismo e comprou uma guitarra azul calcinha de menina virgem para fazer uma banda: a Los Hermanos. Um belo dia, a banda, que apresentava uma alternativa interessante ao fracasso qualitativo da música pop brasileira, que não sobreviveu à morte de Chico Science, chegou ao ocaso. Então Marcelo Camelo resolveu começar uma carreira solo, com a mesma guitarra azul calcinha de menina virgem. Acho até que era outra guitarra, mas a cor permanecia a mesma. Bem, ontem ele se apresentou no Molotov, considerando a si mesmo e sendo considerado pela platéia de meninas que acabaram de entrar em algum curso de humanas na UFPE, o mais novo ícone da música popular inteligente brasileira. Sentado num banquinho, com uma banda que tinha até um maldito vibrafonista estava convicto de que era o próprio Chico Buarque. A verdade é que ele parecia muito mais um Caetano Veloso dada a postura quase teatral que o levava a baixar a cabeça todas as vezes que os seus músicos começavam a tocar uma coisinha mais lenta. Nesse momento ele se tornava o deprimido reflexivo. Mas suas músicas com letras tão profundas quanto um pires (esse é o melhor chavão do jornalismo artístico no Brasil) cantadas na sua voz de brocha (esse adjetivo à voz dele devo a uma grande amiga) eram cantadas em coro por quase toda a platéia que lotava o teatro da UFPE, que suporta quase 2000 pessoas. E não só isso ; a cada fonema que ele emitia havia uma gritaria. A cada mi menor convertido pelos captadores da sua guitarra, havia outra maior ainda. A situação era de fato nauseabunda. Foi por isso que acabei não vendo o show inteiro. E numa das vezes em que voltava ao palco (vi o show de dentro) lembrei daquela música horrenda dele que fala que ele não é muito de ganhar e etc. E ao acompanhar a histérica salva de palmas do fim do show, o título desse post passou na minha cabeça.

Friday, August 15, 2008

O fracasso olímpico brasileiro

O Brasil ocupa atualmente o lugar número 38 no quadro geral de medalhas olímpicas em toda a história dos jogos modernos. Apesar de ser necessário louvar individualmente todos os atletas que conseguiram ganhar a sua medalha, é inegável que o Brasil, com 17 medalhas de ouro (mesmo número do Quênia) é um fracasso em termos olímpicos. Pelo menos 25 países de economia menor do que a brasileira estão a frente do Brasil. Quais seriam as razões desse monumental fracasso? Dentre as várias possíveis, eu quero apontar algumas. 1- razão desportiva: o Brasil não domina, nem disputa o domínio de nenhuma modalidade que gere bastante medalhas, como o judô, o atletismo e a natação. Na verdade não chega perto de fazê-lo em nenhuma. Se tomamos o atletismo como exemplo, países como o Quênia, a Polônia, a Etiópia estão infinitamente à frente do Brasil. 2-razão econômica: apesar de todo o alarde quando se chega perto dos jogos olímpicos, dinheiro que é bom, nada! O investimento brasileiro em modalidades desse tipo é tacanho. Em Recife, conheço dois centros com espaço para a prática de atletismo. Um é o Colégio Santos Dumont e o outro é o Núcleo de Educação Física da UFPE. Só para se ter uma idéia, a pista de corrida do primeiro, apesar de ser de cimento, tem placas se soltando. A pista de corrida do segundo é de uma irritante mistura de areia e cascalho. Pelo que percebo gente disposta a praticar atletismo no Brasil não falta, aliás sempre que vou em algum desses lugares, muita gente tremendamente disposta está praticando o esporte. Se houvesse um programa de investimentos que visasse a no mínimo oferecer condições básicas para essa, certamente a posição brasileira na história olímpica desse esporte seria mais acima. 3-razão cultural: o futebol é o esporte de todos os esportes e isso é inegável. Entretanto, o tempo dispensado pela imprensa para a cobertura desse esporte no Brasil beira o absurdo. E não apenas porque o brasileiro invariavelmente só quer saber de futebol, mas porque assuntos como brigas entre dirigentes e a vida pessoal dos atletas estão na pauta jornalística. Certamente se esses assuntos não fossem dignos de publicação sobraria mais tempo para a cobertura de outros esportes. De fato, confundir mau comportamento da imprensa esportiva com cultura pode parecer bizarro, mas é inegável que a imprensa, apesar de ter seus próprios interesses políticos, segue uma lógica de dar respostas à demanda do público, mas da mesma forma pode criar uma demanda do público se ofertar informações unilateralmente. 4-razão política: o esporte no Brasil tem em quase todos os setores uma tendência clara: a perpetuação no poder dos seus dirigentes. Não sei se essa tendência se aplica ao judô, à natação e ao atletismo, mas o fato é que o Comitê Olímpico Brasileiro tem à sua frente o mesmo presidente, Carlos Artur Nusman, pelo menos desde os jogos de Atlanta em 1996 (o momento em que o vi como presidente pela primeira vez). E, frisemos, o Brasil durante seu mandato, conseguiu apenas 8 medalhas de ouro, passando em branco nesse critério nos jogos de Sydney em 2000. Oito medalhas de ouro é o que Michael Phelps vai conquistar em apenas uma edição dos jogos. Se esses resultados não são suficientes para remover os dirigentes de uma agremiação esportiva, eu não sei mais o que seria suficiente. Saber eu até sei, mas isto transcenderia o critério de eficiência. Uma outra coisa a ser apontada é que a segunda e a terceira razões são estruturais e diria até que são responsáveis em grande medida pela primeira e de certa forma pela quarta. O acréscimo no investimento e o maior espaço de cobertura na imprensa de esportes de alto potencial olímpico certamente melhorariam o desempenho brasileiro nas Olimpíadas. Isso poderia ampliar a nossa cultura de eficiência desportiva (que já existe em demasia no Futebol, pelo menos no que concerne à Seleção) para tais esportes olímpicos, o que exigiria por sua vez dirigentes profissionais e de fato competentes. Caso contrário, o Brasil estará condenado ao fracasso em matéria de esporte.

Saturday, August 9, 2008

O direito à auto-determinação dos povos, você e George Bush

Se você tiver achado linda a auto-proclamação de independência de Kosovo, você tem que achar uma beleza o que a Rússia começou a fazer na Geórgia. Se você fosse George Bush e também cumprisse a condição que eu expus acima, você teria todos os instrumentos para ajudar os russos nessa maravilhosa defesa do direito à auto-determinação dos povos. Afinal, essa intervenção é para proteger a Ossétia do Sul, região que por não ser geórgia em termos culturais, tem pretendido se separar. Só que George Bush não fez o que a lógica resultante do inter-relacionamento das sentenças acima prevê. Você então já deve estar chamando George Bush (e isso não é pela primeira vez) de hipócrita e coisas assim. Se você está fazendo isso, é porque você é extremamente ingênuo e acha mais interessante o que as pessoas falam do que o que as pessoas realmente buscam. Ou, em outras palavras, preocupa-se com o discurso e esquece que o que move as pessoas são os interesses. Vou explicar melhor, utilizando uma "teoria" que pode até não ser a única que explique o que de fato está acontecendo, mas que é útil para o meu objetivo. Tanto a independência de Kossovo, quanto a intervenção russa na Geórgia são lances de um conflito muito maior, de caráter indelevelmente geo-histórico, entre a Rússia e os Estados Unidos pelo controle da Eurásia. Conflito este que, ao contrário do que pensa muita gente, tem a Guerra Fria como apenas um dos seus lances. A independência de Kossovo de fato foi um golpe muito mais duro para a Sérvia do que para a Rússia, mas o fato é que o decisivo apoio de países da OTAN incentivou a Sérvia a não fazer o que a Geórgia fez contra os ossetos do sul. A Sérvia é um país que diferentemente dos outros ex-comunistas não se aproximou dos americanos para tentar contrabalançar a influência russa. E pra falar a verdade, aproximou-se fortemente da Rússia depois do fim da União Soviética. Um golpe contra a Sérvia, nesse contexto representa um golpe contra a Rússia, pois estabelece que países da OTAN (a aliança militar que existe para contrabalançar o poder russo na Europa) jogam um papel em uma região que fica a menos de 1,3 km da fronteira da Rússia. Além desse golpe, há outros parecidos na Polônia, na Ucrânia, no Azerbaijão e, inclusive, na própria Geórgia. O fato é que a Rússia tem tomado golpes freqüentes nesse conflito e a intervenção na Geórgia foi uma tentativa de contra-golpear. Só isso! Sendo assim, o que George Bush fez em relação ao Kossovo era interessante para ele e o que ele está fazendo agora em relação a esse conflito no Cáucaso também. O resto é só blá-blá-blá.

Friday, July 25, 2008

O problema das variáveis independentes

O aparente sucesso da lei que ficou conhecida como lei seca em diminuir os acidentes não se deve ao rigor contido na lei, como os incautos defensores dela têm louvado, e sim ao rigor da aplicação da nova lei. A antiga que tratava do assunto bebidas alcoólicas e trânsito, já era bastante rigorosa. Mais até do que as leis semelhantes do Reino Unido e dos Estados Unidos, pois permitia concentrações alcoólicas menores em um condutor. Só que no Brasil a lei não era aplicada. E isso pode ser de fato uma variável importante para explicar o grande número de acidentes envolvendo condutores embriagados, como também para explicar a diminuição dos acidentes depois da promulgação dessa nova lei. Tem havido um tremendo estardalhaço sobre esse problema ultimamente e os órgãos responsáveis pela aplicação da lei estão em polvorosa a fim de mostrar serviço. Daí o rigor da aplicação. É uma ingenuidade (estou sendo eufêmico, porque o termo adequado é burrice) acreditar que basta o rigor na lei para garantir o que os saxões chamam de enforcement e, em conseqüência os efeitos esperados da própria lei.

Friday, July 18, 2008

Os juízes e a justiça

O processo penal se dá mais ou menos da seguinte forma: a autoridade policial inicia uma investigação, coleta provas e indícios, chega a conclusões, aciona o Ministério Público que encaminha tudo isso ao poder judiciário, denunciando os suspeitos apontados pela investigação. Um juiz avalia a denúncia e caso esteja convencido de que os dados fornecidos pela autoridade policial investigativa sirvam de base para a acusação do suspeito, ele inicia um processo judicial contra esse suspeito e pode ordenar a sua prisão preventiva. Nesse momento, entram em cena os advogados do agora réu, que dado o amplo direito de defesa que têm os cidadãos em estados democráticos, podem pedir a soltura do réu, mediante um habeas corpus. Eles podem alegar várias coisas para fundamentar esse pedido. Podem apontar erros de qualquer natureza no processo de investigação, podem afirmar que o réu não oferece indícios de que vai fugir ou tentar atrapalhar o processo judiciário, e mais uma plêiade de coisas. Eu não estou muito por dentro do caso Daniel Dantas, mas me dou o direito de acreditar que todas as acusações contra ele são verdadeiras. Tenho quase certeza de que se eu tentar me informar bem sobre o assunto, eu chegarei a essa conclusão. Sendo assim, ele deveria estar preso. E ele foi preso pela PF, e o juiz federal confirmou a sua prisão duas vezes. Mas o presidente do STF, o Supremo Tribunal de Justiça, quinto homem na linha sucessória da Presidência da República, resolveu acatar o pedido de habeas corpus do cidadão duas vezes. Ele (o juíz) não se pronunciou sobre o assunto, mas ao que parece, ele considerou justas as demandas dos advogados de Daniel Dantas, alegando que o cidadão não pode ser algemado e coisas do gênero. Eu também fiquei sabendo en passant que Daniel Dantas tentou subornar um delegado federal. Coloquemos então esses dois fatos para serem pesados e decidamos qual o fato mais grave num processo penal: ser algemado ou tentar subornar uma autoridade policial? Para o presidente do STF ser algemado é um fato gravíssimo. Mais grave até do que ser réu num processo e tentar atrapalhar esse mesmo processo de forma ilegal. Talvez por isso ele tenha mandado soltar o réu. Nessa mesma onda, os advogados de Cacciola estão se preparando para pedir um habeas corpus. Esse último é um foragido da justiça. Existe coisa que mais atrapalhe o processo em que uma pessoa é ré do que essa pessoa se evadir completamente da jurisdição onde o processo ocorre? O presidente do STF responderá a essa pergunta nos próximos dias.

Monday, July 14, 2008

Os famosos e a formação de opiniões

Basta alguém famoso falar alguma coisa contra o politicamente correto que aparece um monte de gente de reputação supostamente politicamente correta, que cai de pau em cima dela (metaforicamente) dizendo que essa pessoa é uma formadora de opinião e deveria ter cuidado com o que fala, pois outras pessoas provavelmente adotarão a mesma posição dela em um futuro próximo. Noutro dia uma modelo e atriz, cujo nome não vou me dar ao trabalho de procurar na internet, falou no maravilhoso e educativo programa de Hebe Camargo, que não gostaria de ter um filho homossexual. No outro dia, figuras associadas ao movimento pelos direitos dos homossexuais fizeram o que eu disse acima ipsi literis. Duas coisas a serem observadas sobre episódios desse tipo. A primeira é o fato de que qualquer um tem o direito de expressar sua opinião, desde que não ofenda ninguém. A moça não ofendeu os homossexuais porque disse que não gostaria de ter um filho homossexual. Ela tem o direito de querer que o filho dela seja realmente do jeito que ela quer e tem o direito de expressar essa vontade. Sendo assim, a modelo e atriz não fez nada demais. A segunda coisa concerne ao motivo que limita ao politicamente correto a opinião e o discurso das pessoas que aparecem na televisão, ou seja, a idéia de que uma pessoa desse tipo é uma formadora de opiniões. Sinceramente! O sujeito que acredita nisso acredita em duas coisas complementares, a saber: 1) a retórica do sujeito famoso é plenamente convincente em qualquer situação; 2) as pessoas que recebem o discurso têm necessariamente problemas de cognição, o que as leva naturalmente a aceitar tudo o que um famoso fala. A primeira não pode ser verdade. A maior parte das pessoas que aparece na televisão não sabe nem o que é retórica. Tem gente na universidade que não sabe. Quanto mais uma modelo e atriz ou um ex-participante de reality show e etc. Quanto à segunda, tenho dúvidas sobre sua veracidade e isso por causa de um problema quantitativo. A média da população realmente tem problemas de cognição. Talvez por isso tenda a não discernir os limites quanto à verdade (não apenas no sentido factual) do discurso de alguém que alcançou a honra de ser famoso. Mas por outro lado, duvido muito que a opinião de alguém famoso seja fundamental para definir o posicionamento das pessoas, mesmo daquelas com dificuldades em discernir as coisas. A constituição de uma visão de mundo é um processo bem mais complexo do que isso.

Wednesday, July 2, 2008

A Copa Panamericana de Futebol de 2011

Porra! Acompanhar a UEFA Euro 2008 e depois lembrar da última Copa América, que só teve graça por causa daquela amarelada monumental da Argentina frente aquele time sem futuro de Dunga, é sacanagem. Os estádios europeus são do caralho, a organização beira a perfeição. Até o futebol é infinitamente superior ao futebol jogado na Copa América. Dei uma olhada no ranking da FIFA há uns dias atrás e vi que depois de Argentina e Brasil, a mais bem colocada seleção é o México que está na posição 18. Comecei a refletir se a Copa América (e nunca assisti a uma Concacaf que o Brasil não tivesse jogando, mas tenho certeza de que é uma merda!) é uma merda porque as seleções são uma merda (vamos lembrar que o Brasil já mandou um time C pra jogar uma), ou se as seleções são uma merda porque a Copa América é uma merda. A despeito de não conseguir definir a causa e a conseqüência do problema, o fato é que tudo é uma merda! Mas como todo bom analista de tudo, além de identificar o problema, eu apresento soluções adequadas para resolvê-lo. Pois bem, eis minha sugestão. A Conmebol e a Concacaf devem se juntar pra organizar um torneio decente nos moldes da UEFA Euro. A América tem 35 países independentes (acabei de ver na Wikepedia). Desses, 12 têm seu futebol associado à Conmebol. Até onde eu imagino, os outros 23 são associados à Concacaf. Dá muito bem pra fazer uma Copa Pan-americana com 16 seleções. Assim, por critérios baseados no ranqueamento, garantir-se-iam 7 vagas para a Conmebol, 5 para a Concacaf (pois por esses mesmos critérios as seleções sul-americanas estão bem a frente) e as outras 4 vagas seriam preenchidas pelos times vencedores em um torneio eliminatório. Pronto! Por mais óbvio que seja, eu duvido que essa receita não funcione. Ah, o torneio deveria ser disputado de 4 em 4 anos, começando no ano imediatamente posterior à Copa do Mundo. Ah, e eu ainda sugiro que o primeiro seja realizado nos Estados Unidos. Por que? Ora, o dinheiro está lá e o futebol é negócio também. Além do mais acho que até dá pra aproveitar algo da estrutura da Copa de 94. E também seria um belo impulso.

Monday, June 30, 2008

Tudo é passível de ser comentado

É flagrante em nossa civilização o número crescente de figuras pitorescas que se sentem à vontade em "analisar" e emitir opinião sobre qualquer coisa. A maior parte destes seres trabalha em veículos de comunicação e exerce a profissão de jornalista. De fato, alguns podem até dizer que o caráter mercadológico que a comunicação de massa vem adquirindo desde o início do século passado é responsável por essa superficialização da comunicação. Mas os motivos não interessam. O fato é que falar merda virou o sucesso do momento. Pra que se especializar, observar um determinado assunto a fundo, estudar alguma teoria que foi desenvolvida para explicar algum problema que aflige a humanidade se se pode digitar a palavra correspondente no Google, abrir as três primeiras chamadas e sair falando? É esse o espírito desse magnífico e revolucionário Blog. Seremos mais alguns desses personagens canhestros e nos sentimos no direito de falar sobre qualquer coisa que venha na telha e o que é melhor, sem ter necessariamente nenhum aprofundamento no assunto. Pra que chamar um economista pra escrever num jornal, se eu posso pagar um jornalista que além de "entender" de economia, entende de política, astrologia e física nuclear? Pra que, se o negócio é falar merda!?