Sunday, November 18, 2012

Egolombras e simplismos

Estive presente a algumas das exibições do Janela Internacional de Cinema. Duas das vezes assisti a filmes de diretores penambucanos. O primeiro deles, Boa Sorte Meu Amor (acho que não tem a devida vírgula e eu não lembro o nome do diretor). O segundo, Eles Voltam (Marcelo Lordelo). Sem querer entrar no tema "grande momento da produção cinematográfica pernambucana" farei resenhas sobre os dois. Boa Sorte Meu Amor é uma egolombra total. Tecnicamente soa interessante. A fotografia é uma referência clara ao expressionismo alemão. E a estética acaba se encaixando muito bem no aspecto sombrio e bizarro que exibe a cidade onde se passa boa parte da história, Recife. Mas em termos de narrativa, a coisa é sofrível. Primeiro a trama fundamental do filme. Um cara encontra uma menina, gosta dela, começa a comê-la, ela engravida, desparece e ele vai atrás dela (por causa do amor sublime amor, pois ele não sabe que ela engravidou). Aí vem uma porra de uma história bisonha de descoberta das raízes. Coincidentemente, a moça é da mesma cidade. Sobre essa não dá pra entender se é da infância deles ou era a dos pais. Ninguém fez a menor questão de deixar isso claro. O que, sejamos razoáveis, não importava. Aí no final, o pai da moça a faz abortar o filho do protagonista. E eles não se encontram. O desfecho do filme é o cara tendo uma viagem, em que aparecem urubus comendo o suposto feto. Visualmente muito bom, frise-se. Tudo isso seria mais uma historinha banal contada pelo cinema se no pano de fundo, o cara não fosse filho do dono de uma empresa que derruba casarões antigos na cidade do Recife para as malditas empresas do setor imobiliário pernambucano. Nesse ponto, a coisa se torna grotesca. E o ovo de codorna do caldinho de feijão da maior tensão existencial narrativa do filme é uma sequência que exibe imagens dos edifícios mais altos da cidade, com uma trilha de horror, cujo ápice se dá numa tomada de uns cinco segundos nas duas torres na beira do rio próximas ao Cais de Santa Rita, como se aquilo fosse a coisa mais aterrorizante que o ser humano pode perceber. Que Recife tem passado por problemas advindos de um processo de reconfiguração urbana é sabido. Mas tornar esse tema o mote fundamental de uma ficção cinematográfica já é pra se fuder. Não que não se possa tocar no problema, mas o ativismo ingênuo do cineasta fica flagrante. O outro filme é Eles Voltam. Também outro bom trabalho técnico e com um início bem promissor em termos de narrativa. Trata de uma menina que é deixada com o irmão em uma estrada margeada por canaviais (paisagem típica do caminho que leva às praias do litoral pernambucano). No ínício, enquanto a garotinha de doze anos está à beira da estrada, alternam-se o silêncio e o barulho estrondoso dos carros que passam. Isso dá bons elementos para a discussão dos problemas urbanos de Recife em especial, mas de todas as grandes cidades brasileiras com a sugestão: escuta como o carro é barulhento. O fundamento narrativo do filme é o encontro entre mundos. A garotinha é branca de classe média. Enquanto só e perdida no mundo é ajudada por trabalhadores rurais de aparência cabocla, mestiça. E é no desenvolvimento desse encontro que está o grande erro do filme. A tensão necessária de qualquer história com esse fundamento promovida pelo filme não é convincente. Primeiro a personagem é de uma apatia total. . As coisas vão acontecendo e ela com uma cara que não dá pra entender vai fazendo coisas irrelevantes. O problema não é da atriz e sim da personagem mesmo. Não diz a que veio. Não justifica a própria existência. Os diálogos são raros. Quando aparecem normalmente são curtos. O que não é curto é completamente superficial. Dá-se entre uma mocinha da Zona da Mata e a personagem principal do filme. O grande problema da primeira é a ausência de shoping na região, sugestão de problemática jogada com toda superficialidade possível. A idéia do filme é bem interessante. Trata da completa alienação de crianças e adolescentes de clásse média e alta, que quando saem de casa, continuam no prédio, quando saem do prédio vão ao prédio de um colega da escola e passam a vida sem pegar um ônibus, pessoas cujos pais tem pavor de vê-los andar na rua. Isso é uma situação bem real na nossa sociedade. Outro dia, conversando com uma mãe, ela demonstrou estar horrorizada com a idéia que teve algum professor pirado do colégio do filho de levar a criançada pra dar uma volta a pé nos assustadores bairros de Casa Forte e Poço da Panela. Enquanto o mote da descoberta de outro mundo poderia fornecer possíbilidades interessantíssimas na sua narrativa, o filme parece o tempo inteiro flertar com o simplismo, às vezes, descamba pro clichê. Não são evidentemente duas tragédias cinematográficas, mas

Tuesday, April 17, 2012

Ocupe Tejipió!

Bairro da Zona Oeste do Recife (sim dentro do município do Recife), Tejipió é um bairro cercado por trechos de Mata Atlântica, cortado pelo rio de mesmo nome que segue até a bacia do Pina se juntando com este rio e o Jordão para formar o veio d’água que de repente setores da sociedade recifense passaram a achar o mais lindo do mundo. Tejipió abriga também uma das grandes emergências do estado, o Hospital Otávio de Freitas, antiga referência no tratamento de tuberculosos, dado o puro e bucólico ar da região. Tejipió ainda é cortado por uma avenida que tem pelo menos uns três nomes, mas que começa lá no centro de Jaboatão e vai bater em Afogados, o que propicia ligação com o centro da cidade pela Avenida Sul (paralela ao cais José Estelita). Além desse caminho, muito próximo ao bairro passa a BR 232, que também, virando a Abdias de Carvalho e cortando a Agamenon, leva ao centro. Há dois grandes quarteis do Exército e muitas escolas públicas. Uma maternidade e evidentemente um grande comércio local. Faz fronteira com outros bairros importantes da cidade como Jardim São Paulo e Curado e com o município de Jaboatão, cujos bairros lindeiros a Tejipió são o Alto do Pacheco e Cavaleiro, grande centro de comércio popular da RMR. O mais importante de tudo é que corta Tejipió, a linha Leste-oeste do metrô do Recife. Chega-se do bairro na Estação do Recife, no centro da cidade em menos de 20 minutos com o transporte, que agora tem ar condicionado. Você, que foi domingo ao Cais José Estelita, sabia disso?
Fui fortemente censurado por me negar a participar do Ocupe Estelita. Neguei-me por uma série de coisas (entre elas aproveitar meu ócio dominical tomando cervejas amargas e comendo iguarias adiposas num mercado público), mas a fundamental é que eu me opus à ingenua incoerência do grosso do movimento, que ao querer demonizar o setor imobiliário e o projeto Novo Recife não atenta para um problema fundamental da questão da ocupação do espaço urbano na cidade. Primeiramente, a tirar pelos meus amigos de Facebook que manifestaram apoio ao movimento, este é formado predominantemente por quem mora na meia lua de prosperidade do Recife, que vai de Boa Viagem até Casa Forte. Ora, fugindo da superficial hipótese que afirma que quem mora em prédio alto não pode ser contra a construção de prédio alto, vamos à maldita teoria econômica para esclarecer o ponto de discordância. Num mercado de um bem (maldito mercado) existem consumidores (demanda) e produtores (oferta) que travam relações fundamentalmente mediadas pelo preço do bem. O preço variará enquanto as quantidades ofertadas e demandadas não forem idênticas; quando forem, essa situação será chamada de preço de equilíbrio. As curvas de oferta e demanda, entretanto podem sofrer deslocamentos. Se uma delas sofre e a outra não (ou sofrem juntas, mas não na mesma medida), haverá variações de preço. Observando a situação a partir dos possíveis atores, consumidores e produtores, os primeiros são desestimulados a consumir quando o preço aumenta, da mesma forma que os segundos são incentivados a produzir quando o preço aumenta. Uma das razões de aumentos no preço é uma mudança na estrutura na demanda (deslocamento da curva para a direita). Nessa situação, o produtor é incentivado a produzir até que o preço pare de subir (preço de equilíbrio). Na hipótese de a demanda continuar se deslocando para a direita, não haverá limites ao incentivo de produzir.
Sem querer tornar esse modelo teórico uma filosofia social (tarefa tão cretina quanto tornar o comunismo uma filosofia da mesma espécie), é possível usá-lo para explicar parte do motivo da minha negativa em participar da manifestação. Quando, ao escolher morar no arco de prosperidade da cidade, o indivíduo está ajudando a provocar deslocamentos para a direita da curva de demanda por unidades habitacionais nessa região e isso acarreta aumento do preço. Como o preço se torna constantemente mais baixo que o preço de equilíbrio, o setor imobiliário é incentivado a produzir e ofertar unidades habitacionais na região até quando puder.
É fundamental reconhecer, por outro lado, que a ocupação do espaço urbano na RMR tende a ser guiada pelos interesses das imobiliárias em ofertar habitação para cidadãos que querem morar em bairros legais e descolados, ou simplesmente que tenham uma ampla oferta de bens e serviços (não só públicos). A ideia contra a qual reage o movimento é legítima. O Novo Recife está muito longe de ser benéfico à cidade, mas em vez de consumir unidades habitacionais em Boa Viagem e Casa Forte, os manifestantes poderiam pôr na sua agenda a possibilidade de consumir unidades habitacionais em outros bairros.
E é uma questão de escolha. Afinal, no trajeto das Graças ao centro no horário do rush, gasta-se cerca de meia hora dentro de um automóvel. Há bairros fora do arco de prosperidade onde esse tempo de deslocamento é menor – e de metrô com ar condicionado. Há uns meses atrás, houve uma campanha (o Facebook é cheio delas) reclamando dos preços exorbitantes dos shows de Chico Buarque no Recife. Em vez de reclamar, basta não comprar. Isso desloca a curva de demanda. É plausível considerar que há tendências a um mercado como o de ingressos de Chico Buarque ser um livre mercado. Em vez de reclamar, tome decisões para guiar a mão invisível. Elas baixam o preço e reduzem os incentivos dos agentes econômicos do lado da oferta. Em vez de ocupar o Estelita, ocupe Tejipió! Estou inclinado a achar que haverá mais congruência entre ações e intenções.

Tuesday, March 20, 2012

Bicletas, macacos e mobilidade urbana

A classe média brasileira para além das clássicas divisões com base em critérios de renda pode ser dividida em quatro grupos. O primeiro é a classe média brasileira norte-americanizada. Esse grupo espera as férias para dar umas voltas em Miami e Nova York e comprar roupas de grife e eletrônicos e, por externalidade, fuder o saldo em transações correntes do comércio exterior brasileiro. O segundo grupo parece muito com o primeiro, entretanto, como tem uma renda um pouco menor para financiar uma viagem a um país de moeda mais forte vai para a Argentina nas férias com vistas a dobrar o poder aquisitivo e comprar artigos esportivos de grife e outras bugigangas, e também por externalidade, fuder o saldo em transações correntes do comércio exterior brasileiro. O terceiro grupo também vai para Argentina por questões econômicas, mas vai para comer e beber vinho bom e barato e passear de barquinho pelos canais de Tigre. Como não poderia deixar de ser, esse grupo também ajuda a fuder o saldo em transações correntes do comércio exterior brasileiro. O quarto grupo, é a classe média europeizada. Parece com o terceiro, mas como tem mais renda, vai comer e beber na Europa e passear de vaporetto na Laguna ou de bicicleta em Amsterdã. Ainda assim, também ajuda a fuder o saldo de transações correntes do país.
Essa verdadeira nova e cretina taxonomia da classe média brasileira serve apenas para a ampliação do arsenal cognitivo da humanidade, até porque para os nossos propósitos nesse texto, basta a definição do quarto grupo. Ultimamente tem aumentado nas redes sociais a campanha de apoio à utilização da bicicleta como meio de transporte ordinário na maravilhosa, úmida e calorenta cidade do Recife. A nossa classe média europeizada tem liderado essas movimentações utilizando fortemente dois argumentos, a saber: a diminuição da demanda por espaço viário; a promoção da saúde e do bem estar urbanos, tanto pela prática de exercícios físicos, quanto pela diminuição das emissões de gases nocivos. Primeiro, gostaria de revelar que ultimamente tenho usado a bicicleta para me movimentar, embora eu esteja de férias. Além disso, gostaria de admitir que faço parte dessa classe média europeizada que gosta do veículo. Entretanto, sejamos francos e realistas, as bicicletas não são a panaceia para o caos que se tornou o problema da mobilidade na RMR. Vamos então às contra-argumentações.
Primeiro, contra a ideia da diminuição da demanda por espaço viário, a bicicleta ocupa quase tanto espaço quanto uma motocicleta. E enquanto a primeira rarissimamente pode levar duas pessoas, a segunda normalmente pode. Se o poder público iniciar a implementação de ciclovias e ciclo-faixas nas vias, não vai demorar muito para que estes caminhos estejam congestionados. Além do que, no momento inicial a situação vai se tornar o verdadeiro helter skelter, pois as pessoas não vão deixar de usar o automóvel particular no outro dia. E não é um problema só da fricção adaptativa. A quantidade de carros não parece ter elasticidade-engarrafamento muito alta. Em outras palavras, poucos deixam de usar o carro porque o caminho está engarrafado.
Agora contra a ideia da promoção da saúde e do bem-estar urbanos, preciso recorrer às hipóteses do comportamentalismo animal. Animais têm uma tendência clara que fundamenta o seu modo de vida e por consequência seu comportamento normal: maximizar o saldo de energia no processo de absorção e utilização dos nutrientes. Muito já se confirmou que a progressiva sedentarização do homo sapiens tem levado a nossa espécie à obesidade. Já se confirmou também que a necessidade de adquirir hábitos saudáveis na nossa vida cotidiana é uma urgência. Praticar exercícios físicos tornou-se uma necessidade, já que essa conduta substituiu os ônus energéticos com que a espécie tinha que arcar para achar fontes de energia, contribuindo para o equilíbrio da nossa massa corpórea. De fato, há muita lógica no raciocínio que embasa essa ideia, mas as estatísticas sobre biologia comportamental nos mostram claramente que o comportamento mediano do ser humano não tende a ser mais racional do que o de um macaco. Sendo assim, não se deve pensar que nossos cidadãos (condenados estatisticamente a se aproximarem da linha mediana da inteligência) vão repentinamente se dispor a pedalar por quilômetros porque isso vai ser bom para a saúde deles. É mais improvável ainda que os que adotem, mantenham o hábito num longo prazo. Além do mais, as condições climático-meteorológicas da cidade contribuem bastante para que sempre se queira estar em um lugar com ar condicionado.
Faço então uma defesa do transporte público de massas como fundamento da mobilidade urbana numa metrópole inchada como o Recife. Não obstante, as bicicletas e os deslocamentos a pé devam fazer parte da lógica da eficiência da mobilidade, estes meios devem ser secundários. Coisas como metrô e sistema de ônibus metrolizado (VLP ou VLT) é que devem ser exigidos. Esses meios apresentam grande eficiência, já que possuem alta taxa de passageiros por área ocupada. Outra saída são as águas da cidade. A ideia da transformação do Capibaribe em hidrovia urbana para transporte público é fantástica e deve ser ampliada, tanto para os outros rios da metrópole (Beberibe, Jordão, Tejipió, Jaboatão), quanto para os canais. Tudo isso com base no conceito de que em termos de transporte público de massas, mais é mais.

Saturday, April 9, 2011

Celulares e a evolução da espécie

Depois de ser censurado por familiares, amigos, colegas de trabalho e até por um assaltante, pelo fato de o meu aparelho de telefone celular não conter as maravilhosas novidades do desenvolvimento desenfreado das tecnologias da informação, resolvi me expressar aqui nesse relevante blog sobre o assunto. Diferentemente dos outros animais, a nossa espécie, (o homo sapiens sapiens), há milênios quase não precisa mais de mutações genéticas que aumentem a adaptação dos indivíduos em relação ao nicho ecológico de que fazem parte, para aumentar as chances da sua perenidade. O advento do raciocínio nos propiciou a capacidade de responder aos problemas impostos pelas características ambientais de uma forma tão eficiente, que qualquer montanha de vários hectômetros, se transforma em um simples problema conjuntural. Se eu quiser transpor essa montanha, em vez de passar uns cinquenta mil anos esperando que uma asa cresça nas minhas costas, eu vou lá e invento o avião.
É possível dizer que com o advento desse raciocínio começa também a primeira parte da história da tecnologia. Esse ramo do conhecimento humano diz respeito justamente ao conjunto de técnicas e artefatos que o ser humano precisou desenvolver para se livrar dos problemas que o ambiente lhe impunha e ter mais chances de sucesso na sua sobrevivência como espécie. Sendo assim, as nossas necessidades sempre foram a razão sine qua non do desenvolvimento tecnológico. Temos aí um problema conceitual gravíssimo. Já que conseguimos nos proteger dos predadores, de temperaturas inadequadas, da fome e de uma quantidade enorme de doenças, graças às nossas armas e abrigos, aos nossos aquecedores, à nossa capacidade de cultivar alimentos e às nossas vacinas (vide o fato de sermos parte da maior e a única pandêmica população de mamíferos do planeta) o que porra vem a ser necessidade para a nossa espécie?
Confesso que não tenho nem condição nem vontade de entrar numa discussão dessas. Vou me ater simplesmente ao fato de que nossas necessidades como espécie já foram supridas e priu. Desde que os artistas plásticos começaram a assinar suas obras na modernidade temos sido indivíduos e temos necessidades individuais. A uma parte de nós tem cabido o desenvolvimento da tecnologia. E a história dessa acabou dando uma guinada. Em vez de ser o simples efeito (na maior parte externalidade) das necessidades da espécie, a tecnologia virou a causa fundamental das necessidades do indivíduos. Embora há dez anos atrás não sentisse muita falta de assistir o Domingão do Faustão em uma tv full hd, hoje não consigo mais viver sem isso.
E os exageros não são raros. Quantos ficam ansiosos pelas novidades tecnológicas e querem ser os primeiros a tê-la? Acampamentos em frente as lojas quando se anuncia a estreia de um novo sistema fenomenal de alguma coisa são cada vez mais frequentes.
Sabendo disso, a parte da humanidade responsável pelo desenvolvimento dessa tecnologia desenvolveu até uma estratégia de divulgação da mesma. Qualquer avanço deve ser divulgado e comercializado parcialmente. Os indivíduos de que falei acima vão comprar o novo fuckingpad assim que ele chegar nas lojas. Seis meses depois vão comprar o novo motherfuckerfuckingpad, que de fato já existia antes do primeiro. O segreo é a alma do negócio. E assim as ações da empresa fucking vão lá pra cima. Fuck!
De fato, acredito que cada um gasta seu dinheiro como quer. Já que garantimos a nossa sobrevivência como espécie (considerando que qualquer hecatombe planetária ainda é uma coisa restrita a hollywood e aos ambientalistas), o indivíduo gasta o os recurso de que dispõe, obtidos graças ao suor de seu rosto como quer. Se ele quer um celular de mil e quinhentos reais para twitar, problema dele.
Para suprir as minhas necessidades, eu preciso apenas do meu que liga, marca a hora e tem despertador.

Monday, October 25, 2010

Tropa de Elite 2 (breves comentários)

O novo filme de José Padilha merece poucos comentários. Como um filme de ação é muito bom. Ficam definidos claramente os papeis de mocinho e bandido (pelo menos para o público) e a partir do confronto entre o bem e o mal, a trama vai se desenvolvendo. Bons filmes de ação produzidos em Holywood também conseguem isso. O que atrapalha um pouco Tropa de Elite 2 é a intenção de transformar o maniqueísmo flagrande em algo mais complexo. Mas ainda assim, o filme de ação é divertido.
Quanto aos aspectos éticos do filme, menos coisas a falar. Discurso anti-sistema pueril (o inferno sempre são os outros). E a culpa (de que mesmo?) agora deixou de ser dos consumidores de pó e passou para os políticos (chegando até Brasília), que comandam uma imensa maquinação para conseguir votos.
Em suma, vale como divertimento no final de semana. Mas duvido muito que valha o tempo de cinco minutos de polêmica.

Saturday, October 23, 2010

Papai, eu preciso ser notada!

Eu nunca vi um filme de Sofia Coppola inteiro, mas vi uns pedaços de alguns e todas as vezes tive um verdadeiro mal-estar com as baboseiras que a cineasta usa para fundamentar as suas obras. A baboseira fundamental é a caracterização da protagonista (talvez ela própria) como uma pessoa que está convicta da sua espiritualidae superior ao resto do mundo porque nunca aceitará viver a vida frívola das pessoas ao seu redor e que demonstra uma angústia tremenda quando um contexto desse tipo lhe é imposto. Uma outra baboseira é o sentimento de frustração que vai adquirindo a protagonista (e em algumas situações outros personagens semelhantes) com o fato de que nunca poderá ficar claro a essas pessoas frívolas o quanto a sua espiritualidade exacerbada é superior.
O filme de Coppola Filha que vi por mais tempo foi "Encontros e Desencontros". A protagonista é a deliciosa Scarlet Johanson e o mocinho é a porra do Bill Murray. O filme já começa bizarro pela sugestão de que Scarlet Johansen vai dar pra ele. Isso já é uma coisa indigna de se pensar, mas Bill Murray é um personagem que compartilha com a protagonista esse definitivo senso de superioridade espiritual em relação ao restante de humanidade (no caso de Murray esse senso se manifesta em relação ao Japão e aos japoneses). Em um momento do filme ele lamenta pra ela: "ah! viajei não sei quantas mil milhas para fazer um comercial vazio e ganhar uma quantia exagerada de dividendos". De fato ele não fala isso, mas fala algo com exatamente esse sentido. A moça que é ou filósofa ou antropóloga (não lembro), mas casada com um fotógrafo galã, que trabalha com modelos bonitas que falam de prisão de ventre (que frívolidade!) se apaixona por Murray. Eis um confronto do belo vazio contra o feio pleno de conteúdo intelectual e espiritual por dentro. E a paixão é recíproca, pois um feio pleno por dentro consegue ir além do maravilhoso e curvilíneo pote que envolve a intelectualidade e espiritualidade superiores de Johanson. E quando dois seres desse tipo se encontram, dá namoro! Não cheguei a ver o final, mas conversando sobre essa porra desse filme, já me contaram que felizmente os dois não consumam a paixão (nem com um inocente beijinho). Aliás, parece que o filme ganhou Oscar de melhor roteiro justamente porque o desfecho não é como a maior parte dos filmes desse tipo. Aliás, já escutei louvores a essa magnífica obra por causa desse magnífico desfecho. Os dois protagonistas acabam se separando.
Eu não consigo bem entender o significado de um final como esse, mas posso especular. A primeira hipótese é a de que eles eram tão superiores que não era necessário que a paixão descesse ao baixo nível do encontro de fluidos corporais e carne. A segunda hipótese é a de que a frivolidade que inunda as pessoas as impediria de entender principalmente os atos de Scarlet Johanson (já que ela é a protagonista). Na primeira, a plenitude espiritual (ainda que feia por causa de Muray) vence a frivolidade. Na segunda o contrário. Mas o fato é que o filme é feio e pleno tal como que um pote cheio de merda também é.
Resolvi postar esse texto porque acabei de ler num jornal que no filme novo dela, Coppola usa a mesma fórmula. Eis a frase na matéria: "Coppola faz retrato do showbusiness e da vida que gira no vazio". Puta que pariu!
Tinha parado nessa frase pra escrever aqui, mas quando li o resto da matéria (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/818945-sofia-coppola-equilibra-critica-e-delicadeza-em-um-lugar-qualquer.shtml) lembrei de uma discussão sobre a cineasta que tive uma vez com Novak, nosso colaborador esporádico. Ele chamou atenção ao fato de que as protagoistas de Coppola denotam que ela se sente no papel da filha, cujo pai famoso e importantíssimo na humanamente superficial indústria cinematográfica, nunca teve tempo para ouvir as divagações brilhantes de adolescente rica que ela deve ter tido quando era mais nova. Todas as suas protagonistas querem um pouco de atenção para o seu brilho intelectual e o mundo incondicionalmente vazio e imediatista não demonstra a menor disposição em prestá-la.
Parece que nesse novo filme, a filhinha do cara que vive um mundo de frivolidades vai tirar ele desse mundo. Se for assim, a vitória contra a frivolidade será conseguida. Espero que depois disso ela pare de fazer filmes.

Sunday, October 3, 2010

É a democracia, abestado

Eu tinha dito a mim mesmo q não ia mais falar de política nessa merda, mas acho q vale a exceção. Acabo de saber que Tiririca conseguiu a maior votação da história do país pra deputado federal. Logo depois, vi na TV alguns comentários num debate envolvendo um marqueteiro político, um dono de instituto de pesquisa e dois políticos. Condenações a esse fato não faltaram no debate e nem faltarão nos próximos dias. Um falou que era um achincalhamento à democracia, outro que faz parte da história política brasileira e todos aproveitaram pra falar que o Brasil precisa de uma ampla reforma política, ou seja, uma reforma no arcaboço legal que regula os processos eleitorais e a política ordinária. Sinceramente, eu fico estupefato como esse assunto bizarro aparece em períodos eleitorais. Sistemas políticos democráticos têm problemas da Suécia à Índia e é provável que sempre tenham durante todo tempo que a democracia durar e a tentativa de reformá-los só resulta em uma coisa, a saber: a certeza de que a reforma gerou outros problemas para o sistema que geraram outra necessidade de reforma. Mas não quero falar disso. Quero falar da indignação das pessoas às candidaturas de pessoas como Tiririca e artistas em geral, jogadores de futebol, personagens de vídeos bizarros do youtube e coisas similares. Primeiro de tudo, o brasileiro tem a tendência de achar que a priori qualquer pessoa que submeta sua candidatura a um cargo público quer na verdade dar uma mamada nas tetas do governo. Em consequência, essa tendência leva ao fato de que quando um eleitor vota em alguém ele se sente fazendo um favor; "estou dando a esse cidadão, um emprego público e os privilégios decorrentes desse(inclusive as mamadas nas tetas) por um tempo". Logo, se Tiririca se candidata ele quer é mamar.
Porém, a democracia é um sistema que demanda para a sua existência, a ampla participação da população no processo eleitoral. Qualquer um, respeitando algumas restrições perfeitamente razoáveis, como a maioridade por exemplo, pode ser um candidato. Se Tiririca, Romário, Bebeto, Franklin Aguiar e o grande Reginaldo Rossi se candidatam isso é uma simples decorrência dessa demanda, que na verdade é melhor qualificada como princípio da democracia representativa que vivenciamos.
De fato, é pertinente achar que alguém que queira se candidatar a um cargo público, deva fazê-lo por alguma noção de bem público, ou tenha experiência, ou ainda um discurso empolgante, mas tenho tido a impressão de que, a maior explicação para que uma pessoa que nunca teve nada na vida parecida com uma carreira política (em sindicatos, movimentos estudantis, associações de moradores, clubes) submeta-se ao escrutínio eleitoral é o fato de ele ser conhecido. Tanto é que quando em algum lugar alguém é conhecido de muita gente, todos tiram a velha onda,"porra, fulano vai se candidatar a vereador". E acho q é por isso q esse pessoal se candidata. Concordo que seja pertinente desconfiar da seriedade dessas candidaturas, mas por outro lado digo pode ser puro preconceito negar a possibilidade de que esses candidatos, quando eleitos, possam levar a futura carreira política com seriedade.
Mas o ponto mais importante desse texto inútil é indagar se quando um candidato desse tipo é eleito com 1 milhão de votos numa votação proporcional e o sentimento aparente varia de vergonha à indignação não há nada errado com a democracia em seu fundamento. A candidatura de alguém como Tiririca não passa de uma candidatura até que 1 milhão de pessoas votem nele. Houve uma decisão apoiada no princípio da maioria, que é o fundamento por definição da democracia.
Tiririca é um símbolo da democracia, abestado.

Wednesday, December 30, 2009

Ambientalista não transa

Com todo esse clima de Cop 15 (sem trocadilho, é claro) cheguei a uma conclusão, a saber: ambientalista não transa. O que me levou a essa conclusão foi uma série a que eu estava assistindo um dia desses. Era sobre um grupo que caça os navios caçadores de baleias japoneses para perturbar a atividade econômica que eles desempenham. Eu sei que as baleias grandes estão ameaçadas de extinção pelo mundo a fora, mas acho que isso não justifica você ficar confinado numa porra de navio por semanas para encontrar baleeiros e depois jogar ácido butírico nos seus conveses para prejudicar o corte dos cetáceos. Até porque a atividade baleeira é milenar e pelo que eu consigo entender existe até regulamentação para o seu exercício que limita a quantidade de animais caçados. E além do mais é apenas mais uma das atividades que confirmam a supremacia do homem frente a qualquer outra espécie de vida na terra, exceto os microorganismos que provocam doenças incuráveis, é claro. A pesca da baleia deve ser uma indústria que movimenta uma cadeia extensa de produção que gera emprego e renda. Muita gente depende de atividades desse tipo. E tem um bando de gente que não transa, querendo jogar ácido butírico (um líquido que não corrói, mas fede pra caralho) nela. Esse ácido deriva da manteiga, daí o nome (acho que é do inglês butter). E essa galera ainda é vegetariana frustrada. Eu digo isso porque teve uma situação filmada pelas câmeras do programa que flagraram o cozinheiro dizendo que ia fazer berinjela no caldo de galinha e que os telespectadores não precisavam se preocupar porque o caldo não era de galinha de verdade. Ou seja, a pessoa quer sentir o gosto de galinha na sua berinjela, mas não quer que esse gosto venha do cadáver da galinha de fato. É muita frustração! Ademais, bem que eles, em vez de deixarem a manteiga ficar rançosa pra produzir o maravilhoso ácido butírico, poderiam usar o óleo derivado do leite das tetas de uma mamífera pra lubrificar as partes mais apertadas do corpo de outrem e transar; de preferência com uma mulher. Em suma, um bando de gente que quando pensa em manteiga, pensa logo em ácido butírico para jogar nos baleeiros só pode ser um bando de ambientalista. E como eu disse, ambientalista não transa!

Sunday, December 13, 2009

O canal é o canal

Todos que moramos na maravilhosa e mal-cheirosa cidade do Recife e precisamos enfrentar o seu tráfico de veículos hodiernamente para executar nossas atividades normais ficamos muito indignados. A cidade cresceu sem planejamento, o transporte público é uma bosta, os sinais não são sincronizados e os motoristas praticam muito bem o conceito de direção ofensiva. Por outro lado, tem água pra caralho nessa cidade e ela (a cidade) se distribui quase que completamente em uma planície ao nível do mar. E não é novidade nenhuma que os caminhos aquáticos poderiam ser utilizados para o transporte dos seus cidadãos. E são, apesar da falta de qualquer institucionalização ou regularidade. O Capibaribe corta a cidade de oeste a leste numa trajetória geograficamente retilínia. Transformá-lo numa avenida fluvial seria uma coisa formidável, desde que os barcos pudessem ser rápidos e eficientes. Além disso, prestar-se-ia um pouco mais de cuidado com a conservação da limpeza do rio, que é relativamente limpo em comparação a outros rios urbanos. Mas existe outra linha de pensamento sobre transporte público aquático que não exclue de forma alguma a idéia do Capibaribe. Aquele canal asqueroso da Agamenon Magalhães, bem que podia funcionar como via fluvial para transportar cidadãos. É claro que o canal precisaria ser limpo e outras obras estruturais precisariam ser realizadas. Mas, ia ser muito legal e útil. O canal da Agamenon tem cerca de 5 km de extensão e vai do Hospital Português ao Tacaruna. Ou seja, toda a avenida, que corta o centro-leste da cidade e é a melhor ligação entre Recife e Olinda, aquela cidade artística e carnavalesca. Além disso, a cidade tem mais pelo menos 3 canais de grande extensão. Um deles é o que passa em frente ao Shoping Recife. Esse é o maior da Região Metropolitana e vai bater lá na antiga Lagoa do Náutico em Jaboatão. Mas tratando-se só da capital, corta todo o bairro de Boa Viagem, o maior e o com o pior trânsito da cidade. E tudo isso relativo aos canais, poderia ser de uso exclusivo para o transporte público. Até porque seria complicado organizar o tráfico de barcos particulares em um espaço tão pequeno. Tudo isso significa metrolização do transporte público, conceito que virou a bola da vez no planejamento das grandes cidades.

Saturday, December 12, 2009

Dividendos excedentes

Acabei de ver uma bizarrice na televisão, a saber: um empresário francês resolveu criar um restaurante suspenso nos céus de Paris e cobrar uma quantia mirabolante para uma pessoa fazer uma refeição. O restaurante suspenso consiste em uma plataforma elevada por um guindaste até alguns metros de altura. Lá as pessoas ficam saboreando coisas da faceta esquisita (e não é espanhol) da culinária francesa, tais como geléia de carne com espuma de couve-flor por cerca de 1000 Euros e vendo a Torre Eifel e coisas assim. Isso me levou a uma indagação. Por quê gente com dividendos excedentes faz tanta merda na vida com esses dividendos? Essa indagação me fez pensar em Dubai. Que tal morar numa ilha artificial com formato de palmeira? Que tal esquiar na neve dentro de um shoping em plena Arábia? Muito legal, não seria? Ah, tem um restaurante por aí de um engenheiro químico que resolveu transformar tudo em espuma, onde só se consegue uma vaguinha com mais de um ano de antecedência para pagar uns 500 Euros por prato. E pelo tempo de espera, percebe-se que tem muita gente disposta a comer espuma por tanto dinheiro. Indo além, não se pode atribuir essa postura esquizofrênica perante a vida somente a quem tem muitos dividendos excedentes. Quem nunca viu o habitante de um casebre de taipa na beira do canal ter um som de potência extremamente elevada ouvindo aquele brega instigado? Quem nunca viu um celular com câmera com vários megapixels na mão de um carroceiro? Foi-se a época em que o jetski (é assim que se escreve?) era a babaquice preferida pelos cidadãos com dividendos excedentes. Depois de toda essa reflexão, mudo a indagação que fiz no início para a seguinte: Para que servem dividendos excedentes nas mãos do homo sapiens sapiens, este ser racional e iluminado?

Friday, December 11, 2009

A paz do Mundo começa em voçê*

Sugiro ler esse artigo ao som de Nando Cordel:





Alguém pode me explicar por que Obama ganhou Nobel da paz e Nando Cordel ainda não? Essa semana, o bronzeado, Barack Obama, foi receber o seu prêmio na Noruega. E não foi o de presidente afro-americano do ano não, e nem melhor campanha publicitária de todos os tempos. Obama ganhou o Nobel da Paz. Sim! O prêmio concedido para aquelas pessoas que têm uma “luta” relevante pela paz mundial, tipo, Madre Tereza, o Dalai Lama, Nelson Mandela, Nando Cordel... Mas, no caso de Obama não é apenas uma “luta”, mas sim uma verdadeira “guerra” pela paz. Na cerimônia de entrega do prêmio Obama reconheceu que fez muito pouco ainda, mas afirmou que vai justificar a honraria. "Estou apenas no começo do meu trabalho" disse. É verdade, mas já está correndo atrás do tempo perdido, há poucos dias anunciou o envio de 30 mil soldados ao Afeganistão. Em Copenhague, na conferência climática, o melaninizado apresentou metas insatisfatórias para a diminuição de emissão de gases que provocam o efeito estufa e, consequentemente, aumentam o aquecimento global. Também não faz muito tempo que, o presidente dos negros e latinos, anunciou que não vai poder cumprir a promessa de fechar a base militar de Guantánamo até 22 de janeiro. Que começo de trabalho, aliás!

Por tudo isso:

Alguém pode me explicar por que Obama ganhou Nobel da paz e Nando Cordel ainda não?

*É mister que o vídeo seja visto até o final para uma melhor compreensão das coisas

Tuesday, December 1, 2009

Teoria racional da Mão de Deus

É interessante como assuntos irrelevantes e corriqueiros podem elucidar aspectos das teorias sobre o comportamento social. Há umas duas semanas, Henry, centroavante da seleção francesa de futebol, ajeitou a bola com a mão para dar o passe para o zagueiro Gallas fazer o gol que classificou a França para a Copa de 2010. Nenhum dos árbitros viu e o gol foi validado. O episódio quase vira uma crise diplomática entre a República da Irlanda e a França e se apresenta como mais um elemento das discussões sobre a introdução de arbitragem eletrônica nesse esporte. A coisa toda foi tão dramática que Henry chegou a pedir desculpas à Irlanda e a sugerir que houvesse outro jogo ou algo assim para que a injustiça fosse reparada.
A pergunta que tenho me feito é: por que cargas d'água o futebol vive envolto em polêmicas geradas por erros toscos de arbitragem? Para responder a essa questão, vamos falar um pouco de outro esporte onde isso nunca (acho que pelo menos em termos estatísticos o termo [nunca] é adequado) acontece, ignorando naturalmente a possibilidade de que tais erros sejam meramente falta de honestidade na arbitragem.
Esse outro esporte é o tênis. Quantas vezes a maravilhosa Maria Sharapova falou mal da arbitragem na carreira? Quantas vezes Steffi Graf atribuiu uma das suas poucas derrotas ao árbitro? Nunca! Isso simplesmente porque a arbitragem no tênis quase nunca erra. E por quê não erra? Eu não sei com certeza absoluta, mas tenho certeza absoluta de que o fato de uma partida de tênis ser disputada por duas (quatro nas duplas) pessoas numa quadra de cerca de 196 metros quadrados e arbitrada por um juíz principal e 8 auxiliares tem alguma influência nisso.
Enquanto isso, uma partida de futebol é disputada por 22 pessoas numa quadra de quase 7900 metros quadrados e arbitrada por um juíz principal auxiliado por dois malditos bandeirinhas. Se o leitor quiser, faça as relações árbitro/área e árbitro/atleta em cada uma das situações e depois imagine onde é mais fácil a conduta desviante da regra ser identificada pela autoridade competente. É por isso que existem tantos erros de arbitragem no futebol.
E o que tem isso a ver com teorizações sobre o comportamento social? Na verdade, a iluminação sobre isso está relacionada menos ao erro do juíz do que a tendência ao embuste por parte do jogador de futebol profissional. O jogador sabe intuitivamente que a capacidade do árbitro de aplicar a regra é diminuída pelas próprias condições sociais características do jogo. Sendo assim, ele sente-se incentivado a burlar as regras quando a burla representa um benefício para ele individualmente e/ou para o seu time. Já que o controle é baixo, normalmente a possibilidade de benefício é um incentivo suficiente à adoção de um comportamento irregular.
No caso do francês, o controle só pôde ser exercido depois que as câmeras de tv mostraram a fuleiragem. Mesmo assim, foi um controle a posteriori e com fortes apelos à ética e à honestidade esportivas. Assim, o jogador tomou a atitude de falar o que falou sobre o que fez, mas o fato é que a merda já tinha sido feita e a tentativa de transormar ela em uma coisa menos asquerosa tem muita chance de ser uma merda maior ainda. Não obstante, há de fato uma situação institucional no que diz respeito a valores que precisam ser realizados pelos indivíduos quando estes agem em ambientes sociais. Mas parece que a influência desse aspecto em condicionar comportamentos, pelo menos nesse caso, foi nula. Afinal, a Mão de Deus operou com eficiência.
Situações institucionais costumam condicionar o comportamento dos seres humanos, mas é muito ingênua a tendência de supervalorizar o poder dos aspectos éticos e morais de tais situações. Por outro lado, quanto mais impossibilitado externamente (já que ética e moral são elementos quase que psíquicos da condição humana) um indivíduo estiver de adotar uma conduta irregular mais é provável que ele não a adote. E isso vale praquela coisa chamada política partidária que tanto enoja os incautos defensores da moralidade.

Sunday, November 29, 2009

Crise uma porra!

Eis que acaba o calvário do Náutico na série A. Calvário porque o clube nesses 3 anos de série A, só teve uma esperança, a saber: não voltar pra segunda divisão. Pois bem, um bando de comentaristas oportunista e sem criatividade têm tentando incutir nas cabeças dos torcedores do maravilhoso e armorial estado de Pernambuco a idéia de que o futebol daqui passa por uma crise. Sinceramente, a idéia de crise parece se fundamentar na crença de que na história recente, o futebol daqui teve alguma relevância em nível nacional. Coisa típica de certos seguimentos da sociedade desse estado que não conseguem entender nem que a decadência de Pernambuco é uma obviedade, nem que tentar ganhar importância no grito, não dá. Mas fiquemos no futebol.
O que Pernambuco conquistou na história do futebol pentacampeão mundial? Porra nenhuma! As conquistas são mínimas. Logo, não dá pra existir crise. Tirando uma ou outra campanha, os times daqui jogam embaixo da tabela quando estão na primeira divisão. Sendo assim, a segunda divisão é o destino adequado.
Pernambuco consegue ter um futebol relevante no Nordeste, o que não quer dizer porra nenhuma. Comparando com um estado que está fora do eixo Rio-São Paulo, a gente nota que coisa patética é o futebol pernambucano. Peguemos o Rio Grande do Sul. Cinco Campeonatos Brasileiros, seis Copas do Brasil, três Libertadores, uma Sulamericana, dois Mundiais Interclubes.
Sem mais delongas, os times daqui estão no lugar certo.

Wednesday, October 14, 2009

Bastardos Inglórios: a decepção

Vi hoje e sinceramente achei o filme decepcionante. Há cerca de um ano atrás vi o seu trailer pelo youtube e passei a adorá-lo incondicionalmente antes de assistir. Semana passada, numa mesa de bar, disse a uns amigos "sexta que vem, estréia o filme do ano". Porém nunca fui tão enganado por um trailer na vida. Eu não sou propriamente fã de Tarantino, mas gosto especialmente de dois filmes: Pulp Fiction e Death Proof (que acho q nunca passou no Brasil). Ainda acho Kill Bill bem legal. Uma coisa que me chamou atenção no trailer, foi o chamado à ultraviolência. Particularmente, acho uma perfeição estética abordagens sarcásticas da violência em narrativas, coisa que Tarantino faz com perfeição em Pulp Fiction e meio desleixadamente, mas com um resultado bastante interessante em Kill Bill. Quando vi o trailer, pensei que o enrendo ia ser sobre algo do tipo um comando (judeu ou não) da resistência francesa, ou algo parecido, trocando ultraviolência com os nazistas. Nada mais apropriado. E o filme vai dando sinais disso até que aparece um plano mirabolante pra matar Hitler e a galerinha mais próxima dele. Pra falar a verdade, até aí, tudo bem. Afinal, o plano não precisava dar certo e alguma coisa podia ser desenvolvida a partir disso. Mas não, o plano dá certo e os nazistas morrem num incêndio dentro do cinema. Não consegui achar nenhum argumento estético sustentável que justifique essa alteração bizarra da História (com agá maiúsculo mesmo). A única coisa que consigo dizer sobre isso é que acho que Tarantino quis agradar algum patrocinador judeu do filme dele que gostaria de ver o boneco de Hitler levando uns tiros na cara (é que além do incêndio, tem uns homens-bomba judeus [sensacional] atirando na platéia cheia de nazistas). Além disso, a ultraviolência desse filme quase se resume às tentativas pueris e ultrapassadas de demonstrar realismo em cenas violentas. O tipo de efeito visual que julgo extremamente pobre, principalmente se não for apenas um elemento secundário da tensão psicológica entre crueldade e humor que narrativas em ultraviolência precisam criar. Desse jeito, Mel Gibson também faz. Afinal, apesar de tecnicamente muito bem feito, todo mundo sabe que o nazista é um boneco e também sabe que o que jorra não é sangue, é tinta vermelha. Acho que Tarantino perdeu uma boa oportunidade confirmar o seu talento, que na minha irrelevante opinião parece agora muito duvidoso.

Saturday, February 14, 2009

Surfista chato e skatista legal

Depois de muito tempo sem escrever nada nessa merda, tive uma iluminação enquanto bebia cervejas no posto com Abimael e Novak, nossos colaboradores esporádicos. Quando estão praticando seus respectivos esportes, surfistas costumam ser chatos e encrenqueiros e skatistas costumam ser legais e cooperativos. Por que isso acontece?
A melhor abordagem para uma questão dessas vem da teoria econômica, aplicada à teoria social. Esse problema se relaciona à questão da disputa por recursos escassos. O skatista tem a rua inteira para evoluir os seus movimentos. A rua é pública e condições externas exercem pouca influência nas condições que possibilitam a prática do esporte. No surf, a coisa é diferente. Para surfar são necessárias ondas e estas precisam cumprir determinados requisitos para serem adequadas à prática do esporte. Sem onda boa, não há surf. Logo, existem condições de vento, de maré e de topografia submarina influenciando na prática do esporte. Sendo assim, não é comum que ondas surfáveis abundem por todo o litoral, exceto em alguns picos definidos. Ainda salientemos o fato de que se houver muitos surfistas, a quantidade de ondas não vai aumentar por causa disso.
Há muito espaço nas ruas e os skatistas não têm necessidades muito grande de disputá-lo para praticar o seu esporte. Sendo assim, nenhum outro skatista é um potencial rival. No caso dos surfistas, há poucas ondas e outros surfistas só podem ser vistos como concorrentes.
Muitos dos críticos do liberalismo, tendência filosófica que, dentre outras coisas, acredita na possibilidade de que problemas interacionais (incluindo os internacionais nisso) serão resolvidos mediante a cooperação dos atores envolvidos, afirmam que tais possibilidades só se manifestam quando as situações são de abundância de recursos e que essas situações não são a regra na vida social.
A primeira premissa me parece óbvia. O seres humanos costumam concorrer, não por nenhum problema na sua natureza, mas simplesmente porque eles precisam garantir sua sobrevivência por meio da satisfação das suas necessidades (sendo essas entendidas da forma mais ampla possível). E para isso eles precisam controlar recursos que via de regra apresentam alguma limitação para que o seu usufruto seja universal. E isso sugere que há grande possibilidade de a segunda premissa ser verdadeira.
No mais, haverá muita raberação nos picos de surf por aí.

Tuesday, November 25, 2008

Cada atividade profissional tem o Deny que merece

Há uns anos atrás o apresentador de um daqueles programas de televisão com aquela iluminação tosca que deixa transparecer a secreção das glândulas sebáceas nos rostos do público se engraçou para uma das garotinhas menores de idade que frequentavam a platéia do seu programa, muitos quiseram linchá-lo. Ele foi demitido da emissora e então caiu no ostracismo. Ninguém nunca mais ouviu falar nem dele nem do caso, que pela gravidade, deveria ser naturalmente de polícia. Bem, eu já falei aqui de Marcelo Camelo em outro post e fatos que vieram à tona esta semana, mas que já tinham sido sugeridos no Festival Molotov em Recife, quando claramente Marcelo Camelo apertou as costas da menina de 16 anos com uma daquelas pegadas que se dão na moça quando está rolando sexo, confirmam que ele é de fato um perdedor. Eu concordo que seja plausível a idéia de que todo cara próximo dos 30 anos de idade tenha desejos sexuais por meninas novinhas, conhecidas popularmente como ninfetas. Eu concordo também que, caso se tenha a chance, deva-se comer uma menina novinha, desde que se possa evitar cometer crimes previstos pelo código penal brasileiro. Mas estar com essa idade e namorar uma menina dessas, só demonstra que o cidadão perdeu a capacidade de convencer alguma mulher com uma idade mais próxima dos 30 de dar pra ele. Mas como eu disse antes, Marcelo Camelo é exatamente um perdedor.

Tuesday, October 28, 2008

O boêmio e o surfista

O surfe é um esporte de alto rendimento aeróbico e muscular. Uma noitada normalmente gera no dia posterior uma tremenda desidratação, dores hepáticas, fadiga muscular, e mais uma série de outras mazelas que em conjunto são conhecidas popularmente como ressaca. Esses fatos seriam suficientes para atestar que algumas pessoas têm as suas vidas determinadas por um dilema existencial, a saber: ser boêmio ou ser surfista? Como habitamos uma cidade cujas praias são propensas à aproximação de elasmobrânquios, é quase batido o fato de que aqueles que quiserem surfar têm que fazer uma viagem de no mínimo 45 minutos para chegar à praia onde o risco de ataque desses animais vorazes é baixo. E como as pessoas exercem atividades estudantis ou profissionais nos dias úteis para garantir o seu próprio sustento, viagens desse tipo se tornam possíveis praticamente apenas nos finais de semana e feriados. Mas é exatamente nesses dias (e nas vésperas dos mesmos) que acontecem as atividades lúdicas mais interessantes. Festas, bares e boates sempre nos oferecem os prazeres da vida à noite. Nestas atividades, normalmente nos deparamos com uma oferta considerável e a custo razoável de bebidas alcoólicas e comidas de baixo teor nutritivo e alto teor calórico, tais como caldinhos, espetinhos, crustáceos e pipoca. Alguns ainda aproveitam a oferta de tabaco e de tetra-hidrocarbinol. O consumo de tais produtos pode propiciar às pessoas momentos verdadeiros de felicidade e regozijo, cujos benefícios chegam a superar os custos exigidos por uma ressaca. Por outro lado, dropar uma onda (de pelo menos uns 5 pés) e descê-la até o seu final é uma sensação quase orgástica. O problema é que para fazer isso, o surfista precisa passar por algumas etapas e arcar com alguns custos. A primeira é entrar no mar e alcançar o ponto de formação das ondas. Essa etapa exige fôlego, força e certas técnicas específicas como o popular cavalinho. Quando dentro do mar, o surfista precisa se deslocar constantemente numa direção paralela à linha de arrebentação para alcançar os pontos onde a onda cava e encaixa o sistema surfista-prancha. Isso exige fôlego e resistência muscular. Por fim, o surfista precisa, ao estar localizado em algum dos pontos críticos da onda, remar com toda a potência muscular de que dispõe, para dropar no tempo correto. Ou seja, para um bom dia de surfe, o atleta deve estar em condições próximas das ótimas no quis diz respeito ao fôlego, à elasticidade e à potência musculares e ao sono, condições que uma noitada, por meio do seu efeito mais deletério, não pode propiciar. Como resolver então tal dilema existencial? A simples escolha de um dos dois implica no que os economistas chamam de custo de oportunidade. Esse conceito versa simplesmente sobre o custo de não escolher uma das opções e em conseqüência não aproveitar os seus benefícios. Se escolher ser surfista, o indivíduo não poderá aproveitar os prazeres de ser boêmio. Se escolher ser boêmio, não poderá aproveitar os benefícios de ser surfista. Escolher ser meio surfista e meio boêmio também não é razoável, pois o indivíduo pode acabar arcando com os custos de ser cada um sem aproveitar os benefícios de ser cada um. Escolher nenhum dos dois e ficar em casa na noite de sexta e no dia do sábado é uma opção irrealista. Enfim, eis mais um dilema existencial da nossa civilização.

Friday, October 10, 2008

Auto da crise econômica

personagens: credor, devedor e terceiro

primeiro ato
credor diz pro devedor:
- eu te empresto esses 10, mas vc me paga 12, blz?
devedor responde:
- blz, meu jovem!

segundo ato
credor diz pro terceiro:
-lembra daqueles 12 que eu te pedi?
terceiro responde:
claro, seu filho da puta! vai me pagar quando?
credor responde:
vou te pagar quando o devedor me pagar os 12 que me deve.

terceiro ato
crise no sistema

Wednesday, October 8, 2008

Reflexão estético-sociológica sobre o bigode

De tanto que caiu em desuso, a palavra “bigode”, por si só, já soa estranha e pejorativa. Bi-go-de. Pesquisando na memória virtual coletiva, a internet, não achei nenhuma explicação acreditável para sua etimologia. Num blog concorrente achei isso. É difícil imaginar que só foram inventar um nome pra essa saliência de pêlos logo acima da boca e abaixo do nariz depois que conheceram os tais visigodos aí. Só lembrando que a memória virtual coletiva às vezes falha também. Mas enfim, o bigode. Hoje se nota claramente um enojamento da sociedade com esse artefato estético dos homens. “Principalmente” dos homens, pois é sabido que muitas mulheres também o possuem, porém com um eufemismo, “buço” (muito mais singelo). Aliás, o que seria de Frida Kahlo sem o seu famoso biguço? No entanto, vamos deixar o buço das mulheres de lado. Vamos falar de bigode. Como já ia dizendo, a sociedade moderna, descolada, hi-tech repugna o bigode. É só olhar para as celebridades, essa galera do showbusiness pesado mesmo, quantos que você conhece deixam o bigodinho? - Barba completa não vale-. Não falo nem dos galãs, mas presidentes, atletas, músicos, apresentadores de TV, atores, jornalistas, big brothers etc. Dá pra contar nos dedos. Nem padeiro português usa mais, é anti-higiênico. Experimenta deixar o bigode... Se você se olhar no espelho e conseguir sair do banheiro, vai sentir o controle social agindo fortemente, sua mulher, namorada, irmã, avó, tia, a vizinha fofoqueira. Bigode de cobrador! Ou então... Seu Madruga! Trafica colombiano! Pablo Escobar! Essas coisas. Bigode não pode! É consenso. Aí é que está, é consenso. E tudo que é consenso, nas mãos dos alternativos da vez, vira pelo avesso. Tanto que é relativamente fácil perceber uns bigodinhos no pessoal, digamos, Cult. Johnny Deep, que, aliás, já fora muito mais símbolo Cult (antes, claro, dos Piratas da Disney), vez por outra aparece de bigode, Gael Garcia Bernal, galã das menininhas Cults, também cultiva(desculpa aí) um bigodinho. Músicos também. O cara do Justice, The Killers etc. Daqui a pouco vira coisa de descolado, aí depois vira moda e vai até ter jogador de futebol usando de novo. Rivelino’s style. É que nem cabelo moicano. Há algumas décadas era coisa de punk, hoje é coisa de criancinha. Dizem que, assim como a história, a moda é cíclica. Se de fato for, bigodes heróicos como do aloprado Albert Einstein, do não menos aloprado Charles Chaplin, ou até o bigode locomotiva do alopradíssimo Nietzsche voltarão a povoar os rostos da moçada. Então é isso aí, é barba, cabelo e bigode! Opa... Tira o bigode. Bigode não pode!

Tuesday, October 7, 2008

A coca-cola e a gordurinha da picanha

Primeiramente, gostaria de pronunciar meu fastio desgostoso pelo liquido referido, tendo mais empatia pelos sucos tropicais, cerveja gelada e qualquer outro refrigerante. Voltando ao enfoque da questão, venho trazer à tona uma reflexão digna dos mais fervorosos debates possíveis em mesa de bar, mídia especializada e mexiricagem de comadres que deveriam em uníssono discutir a problemática causada pela ingestão edigestão desses alimentos. A coca-cola, mesmo com seus poderes degenerativos, se qualifica como uns dos produtos mais consumidos no mundo, consumido de forma tal que podemos nos perguntar como o homem pré-histórico sobreviveu aos longos períodos de seca, e de que forma seria a fama do papai Noel sem o seu contrato vitalício com a empresa. O fato é que, após uma única experiência que consistia em colocar pedaços de carne imerso em coca-cola, evidenciado por varias pessoas em sua infância e pré- adolescência comprova o poder destrutivo e maligno do liquido em questão, e quando o mesmo era posto em uma pia gordurosamente entupida as reações milagrosas promoviam o desentupimento, deixando a todos cada vez mais culpados por ingerir essa química tão poderosa. Estes fatos me fizeram, após anos de observações e leituras especializadas, refletir acerca do consumo da “gordurinha da picanha”, será que este delicioso e suculento manjar dos deuses, tão criticado pela medicina, estaria diante de seu antídoto, e vice e versa? E ainda lhes pergunto, será que coca-cola com tofu faz mal?