Sunday, November 18, 2012
Egolombras e simplismos
Tuesday, April 17, 2012
Ocupe Tejipió!
Fui fortemente censurado por me negar a participar do Ocupe Estelita. Neguei-me por uma série de coisas (entre elas aproveitar meu ócio dominical tomando cervejas amargas e comendo iguarias adiposas num mercado público), mas a fundamental é que eu me opus à ingenua incoerência do grosso do movimento, que ao querer demonizar o setor imobiliário e o projeto Novo Recife não atenta para um problema fundamental da questão da ocupação do espaço urbano na cidade. Primeiramente, a tirar pelos meus amigos de Facebook que manifestaram apoio ao movimento, este é formado predominantemente por quem mora na meia lua de prosperidade do Recife, que vai de Boa Viagem até Casa Forte. Ora, fugindo da superficial hipótese que afirma que quem mora em prédio alto não pode ser contra a construção de prédio alto, vamos à maldita teoria econômica para esclarecer o ponto de discordância. Num mercado de um bem (maldito mercado) existem consumidores (demanda) e produtores (oferta) que travam relações fundamentalmente mediadas pelo preço do bem. O preço variará enquanto as quantidades ofertadas e demandadas não forem idênticas; quando forem, essa situação será chamada de preço de equilíbrio. As curvas de oferta e demanda, entretanto podem sofrer deslocamentos. Se uma delas sofre e a outra não (ou sofrem juntas, mas não na mesma medida), haverá variações de preço. Observando a situação a partir dos possíveis atores, consumidores e produtores, os primeiros são desestimulados a consumir quando o preço aumenta, da mesma forma que os segundos são incentivados a produzir quando o preço aumenta. Uma das razões de aumentos no preço é uma mudança na estrutura na demanda (deslocamento da curva para a direita). Nessa situação, o produtor é incentivado a produzir até que o preço pare de subir (preço de equilíbrio). Na hipótese de a demanda continuar se deslocando para a direita, não haverá limites ao incentivo de produzir.
Sem querer tornar esse modelo teórico uma filosofia social (tarefa tão cretina quanto tornar o comunismo uma filosofia da mesma espécie), é possível usá-lo para explicar parte do motivo da minha negativa em participar da manifestação. Quando, ao escolher morar no arco de prosperidade da cidade, o indivíduo está ajudando a provocar deslocamentos para a direita da curva de demanda por unidades habitacionais nessa região e isso acarreta aumento do preço. Como o preço se torna constantemente mais baixo que o preço de equilíbrio, o setor imobiliário é incentivado a produzir e ofertar unidades habitacionais na região até quando puder.
É fundamental reconhecer, por outro lado, que a ocupação do espaço urbano na RMR tende a ser guiada pelos interesses das imobiliárias em ofertar habitação para cidadãos que querem morar em bairros legais e descolados, ou simplesmente que tenham uma ampla oferta de bens e serviços (não só públicos). A ideia contra a qual reage o movimento é legítima. O Novo Recife está muito longe de ser benéfico à cidade, mas em vez de consumir unidades habitacionais em Boa Viagem e Casa Forte, os manifestantes poderiam pôr na sua agenda a possibilidade de consumir unidades habitacionais em outros bairros.
E é uma questão de escolha. Afinal, no trajeto das Graças ao centro no horário do rush, gasta-se cerca de meia hora dentro de um automóvel. Há bairros fora do arco de prosperidade onde esse tempo de deslocamento é menor – e de metrô com ar condicionado. Há uns meses atrás, houve uma campanha (o Facebook é cheio delas) reclamando dos preços exorbitantes dos shows de Chico Buarque no Recife. Em vez de reclamar, basta não comprar. Isso desloca a curva de demanda. É plausível considerar que há tendências a um mercado como o de ingressos de Chico Buarque ser um livre mercado. Em vez de reclamar, tome decisões para guiar a mão invisível. Elas baixam o preço e reduzem os incentivos dos agentes econômicos do lado da oferta. Em vez de ocupar o Estelita, ocupe Tejipió! Estou inclinado a achar que haverá mais congruência entre ações e intenções.
Tuesday, March 20, 2012
Bicletas, macacos e mobilidade urbana
Essa verdadeira nova e cretina taxonomia da classe média brasileira serve apenas para a ampliação do arsenal cognitivo da humanidade, até porque para os nossos propósitos nesse texto, basta a definição do quarto grupo. Ultimamente tem aumentado nas redes sociais a campanha de apoio à utilização da bicicleta como meio de transporte ordinário na maravilhosa, úmida e calorenta cidade do Recife. A nossa classe média europeizada tem liderado essas movimentações utilizando fortemente dois argumentos, a saber: a diminuição da demanda por espaço viário; a promoção da saúde e do bem estar urbanos, tanto pela prática de exercícios físicos, quanto pela diminuição das emissões de gases nocivos. Primeiro, gostaria de revelar que ultimamente tenho usado a bicicleta para me movimentar, embora eu esteja de férias. Além disso, gostaria de admitir que faço parte dessa classe média europeizada que gosta do veículo. Entretanto, sejamos francos e realistas, as bicicletas não são a panaceia para o caos que se tornou o problema da mobilidade na RMR. Vamos então às contra-argumentações.
Primeiro, contra a ideia da diminuição da demanda por espaço viário, a bicicleta ocupa quase tanto espaço quanto uma motocicleta. E enquanto a primeira rarissimamente pode levar duas pessoas, a segunda normalmente pode. Se o poder público iniciar a implementação de ciclovias e ciclo-faixas nas vias, não vai demorar muito para que estes caminhos estejam congestionados. Além do que, no momento inicial a situação vai se tornar o verdadeiro helter skelter, pois as pessoas não vão deixar de usar o automóvel particular no outro dia. E não é um problema só da fricção adaptativa. A quantidade de carros não parece ter elasticidade-engarrafamento muito alta. Em outras palavras, poucos deixam de usar o carro porque o caminho está engarrafado.
Agora contra a ideia da promoção da saúde e do bem-estar urbanos, preciso recorrer às hipóteses do comportamentalismo animal. Animais têm uma tendência clara que fundamenta o seu modo de vida e por consequência seu comportamento normal: maximizar o saldo de energia no processo de absorção e utilização dos nutrientes. Muito já se confirmou que a progressiva sedentarização do homo sapiens tem levado a nossa espécie à obesidade. Já se confirmou também que a necessidade de adquirir hábitos saudáveis na nossa vida cotidiana é uma urgência. Praticar exercícios físicos tornou-se uma necessidade, já que essa conduta substituiu os ônus energéticos com que a espécie tinha que arcar para achar fontes de energia, contribuindo para o equilíbrio da nossa massa corpórea. De fato, há muita lógica no raciocínio que embasa essa ideia, mas as estatísticas sobre biologia comportamental nos mostram claramente que o comportamento mediano do ser humano não tende a ser mais racional do que o de um macaco. Sendo assim, não se deve pensar que nossos cidadãos (condenados estatisticamente a se aproximarem da linha mediana da inteligência) vão repentinamente se dispor a pedalar por quilômetros porque isso vai ser bom para a saúde deles. É mais improvável ainda que os que adotem, mantenham o hábito num longo prazo. Além do mais, as condições climático-meteorológicas da cidade contribuem bastante para que sempre se queira estar em um lugar com ar condicionado.
Faço então uma defesa do transporte público de massas como fundamento da mobilidade urbana numa metrópole inchada como o Recife. Não obstante, as bicicletas e os deslocamentos a pé devam fazer parte da lógica da eficiência da mobilidade, estes meios devem ser secundários. Coisas como metrô e sistema de ônibus metrolizado (VLP ou VLT) é que devem ser exigidos. Esses meios apresentam grande eficiência, já que possuem alta taxa de passageiros por área ocupada. Outra saída são as águas da cidade. A ideia da transformação do Capibaribe em hidrovia urbana para transporte público é fantástica e deve ser ampliada, tanto para os outros rios da metrópole (Beberibe, Jordão, Tejipió, Jaboatão), quanto para os canais. Tudo isso com base no conceito de que em termos de transporte público de massas, mais é mais.
Saturday, April 9, 2011
Celulares e a evolução da espécie
É possível dizer que com o advento desse raciocínio começa também a primeira parte da história da tecnologia. Esse ramo do conhecimento humano diz respeito justamente ao conjunto de técnicas e artefatos que o ser humano precisou desenvolver para se livrar dos problemas que o ambiente lhe impunha e ter mais chances de sucesso na sua sobrevivência como espécie. Sendo assim, as nossas necessidades sempre foram a razão sine qua non do desenvolvimento tecnológico. Temos aí um problema conceitual gravíssimo. Já que conseguimos nos proteger dos predadores, de temperaturas inadequadas, da fome e de uma quantidade enorme de doenças, graças às nossas armas e abrigos, aos nossos aquecedores, à nossa capacidade de cultivar alimentos e às nossas vacinas (vide o fato de sermos parte da maior e a única pandêmica população de mamíferos do planeta) o que porra vem a ser necessidade para a nossa espécie?
Confesso que não tenho nem condição nem vontade de entrar numa discussão dessas. Vou me ater simplesmente ao fato de que nossas necessidades como espécie já foram supridas e priu. Desde que os artistas plásticos começaram a assinar suas obras na modernidade temos sido indivíduos e temos necessidades individuais. A uma parte de nós tem cabido o desenvolvimento da tecnologia. E a história dessa acabou dando uma guinada. Em vez de ser o simples efeito (na maior parte externalidade) das necessidades da espécie, a tecnologia virou a causa fundamental das necessidades do indivíduos. Embora há dez anos atrás não sentisse muita falta de assistir o Domingão do Faustão em uma tv full hd, hoje não consigo mais viver sem isso.
E os exageros não são raros. Quantos ficam ansiosos pelas novidades tecnológicas e querem ser os primeiros a tê-la? Acampamentos em frente as lojas quando se anuncia a estreia de um novo sistema fenomenal de alguma coisa são cada vez mais frequentes.
Sabendo disso, a parte da humanidade responsável pelo desenvolvimento dessa tecnologia desenvolveu até uma estratégia de divulgação da mesma. Qualquer avanço deve ser divulgado e comercializado parcialmente. Os indivíduos de que falei acima vão comprar o novo fuckingpad assim que ele chegar nas lojas. Seis meses depois vão comprar o novo motherfuckerfuckingpad, que de fato já existia antes do primeiro. O segreo é a alma do negócio. E assim as ações da empresa fucking vão lá pra cima. Fuck!
De fato, acredito que cada um gasta seu dinheiro como quer. Já que garantimos a nossa sobrevivência como espécie (considerando que qualquer hecatombe planetária ainda é uma coisa restrita a hollywood e aos ambientalistas), o indivíduo gasta o os recurso de que dispõe, obtidos graças ao suor de seu rosto como quer. Se ele quer um celular de mil e quinhentos reais para twitar, problema dele.
Para suprir as minhas necessidades, eu preciso apenas do meu que liga, marca a hora e tem despertador.
Monday, October 25, 2010
Tropa de Elite 2 (breves comentários)
Quanto aos aspectos éticos do filme, menos coisas a falar. Discurso anti-sistema pueril (o inferno sempre são os outros). E a culpa (de que mesmo?) agora deixou de ser dos consumidores de pó e passou para os políticos (chegando até Brasília), que comandam uma imensa maquinação para conseguir votos.
Em suma, vale como divertimento no final de semana. Mas duvido muito que valha o tempo de cinco minutos de polêmica.
Saturday, October 23, 2010
Papai, eu preciso ser notada!
O filme de Coppola Filha que vi por mais tempo foi "Encontros e Desencontros". A protagonista é a deliciosa Scarlet Johanson e o mocinho é a porra do Bill Murray. O filme já começa bizarro pela sugestão de que Scarlet Johansen vai dar pra ele. Isso já é uma coisa indigna de se pensar, mas Bill Murray é um personagem que compartilha com a protagonista esse definitivo senso de superioridade espiritual em relação ao restante de humanidade (no caso de Murray esse senso se manifesta em relação ao Japão e aos japoneses). Em um momento do filme ele lamenta pra ela: "ah! viajei não sei quantas mil milhas para fazer um comercial vazio e ganhar uma quantia exagerada de dividendos". De fato ele não fala isso, mas fala algo com exatamente esse sentido. A moça que é ou filósofa ou antropóloga (não lembro), mas casada com um fotógrafo galã, que trabalha com modelos bonitas que falam de prisão de ventre (que frívolidade!) se apaixona por Murray. Eis um confronto do belo vazio contra o feio pleno de conteúdo intelectual e espiritual por dentro. E a paixão é recíproca, pois um feio pleno por dentro consegue ir além do maravilhoso e curvilíneo pote que envolve a intelectualidade e espiritualidade superiores de Johanson. E quando dois seres desse tipo se encontram, dá namoro! Não cheguei a ver o final, mas conversando sobre essa porra desse filme, já me contaram que felizmente os dois não consumam a paixão (nem com um inocente beijinho). Aliás, parece que o filme ganhou Oscar de melhor roteiro justamente porque o desfecho não é como a maior parte dos filmes desse tipo. Aliás, já escutei louvores a essa magnífica obra por causa desse magnífico desfecho. Os dois protagonistas acabam se separando.
Eu não consigo bem entender o significado de um final como esse, mas posso especular. A primeira hipótese é a de que eles eram tão superiores que não era necessário que a paixão descesse ao baixo nível do encontro de fluidos corporais e carne. A segunda hipótese é a de que a frivolidade que inunda as pessoas as impediria de entender principalmente os atos de Scarlet Johanson (já que ela é a protagonista). Na primeira, a plenitude espiritual (ainda que feia por causa de Muray) vence a frivolidade. Na segunda o contrário. Mas o fato é que o filme é feio e pleno tal como que um pote cheio de merda também é.
Resolvi postar esse texto porque acabei de ler num jornal que no filme novo dela, Coppola usa a mesma fórmula. Eis a frase na matéria: "Coppola faz retrato do showbusiness e da vida que gira no vazio". Puta que pariu!
Tinha parado nessa frase pra escrever aqui, mas quando li o resto da matéria (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/818945-sofia-coppola-equilibra-critica-e-delicadeza-em-um-lugar-qualquer.shtml) lembrei de uma discussão sobre a cineasta que tive uma vez com Novak, nosso colaborador esporádico. Ele chamou atenção ao fato de que as protagoistas de Coppola denotam que ela se sente no papel da filha, cujo pai famoso e importantíssimo na humanamente superficial indústria cinematográfica, nunca teve tempo para ouvir as divagações brilhantes de adolescente rica que ela deve ter tido quando era mais nova. Todas as suas protagonistas querem um pouco de atenção para o seu brilho intelectual e o mundo incondicionalmente vazio e imediatista não demonstra a menor disposição em prestá-la.
Parece que nesse novo filme, a filhinha do cara que vive um mundo de frivolidades vai tirar ele desse mundo. Se for assim, a vitória contra a frivolidade será conseguida. Espero que depois disso ela pare de fazer filmes.
Sunday, October 3, 2010
É a democracia, abestado
Porém, a democracia é um sistema que demanda para a sua existência, a ampla participação da população no processo eleitoral. Qualquer um, respeitando algumas restrições perfeitamente razoáveis, como a maioridade por exemplo, pode ser um candidato. Se Tiririca, Romário, Bebeto, Franklin Aguiar e o grande Reginaldo Rossi se candidatam isso é uma simples decorrência dessa demanda, que na verdade é melhor qualificada como princípio da democracia representativa que vivenciamos.
De fato, é pertinente achar que alguém que queira se candidatar a um cargo público, deva fazê-lo por alguma noção de bem público, ou tenha experiência, ou ainda um discurso empolgante, mas tenho tido a impressão de que, a maior explicação para que uma pessoa que nunca teve nada na vida parecida com uma carreira política (em sindicatos, movimentos estudantis, associações de moradores, clubes) submeta-se ao escrutínio eleitoral é o fato de ele ser conhecido. Tanto é que quando em algum lugar alguém é conhecido de muita gente, todos tiram a velha onda,"porra, fulano vai se candidatar a vereador". E acho q é por isso q esse pessoal se candidata. Concordo que seja pertinente desconfiar da seriedade dessas candidaturas, mas por outro lado digo pode ser puro preconceito negar a possibilidade de que esses candidatos, quando eleitos, possam levar a futura carreira política com seriedade.
Mas o ponto mais importante desse texto inútil é indagar se quando um candidato desse tipo é eleito com 1 milhão de votos numa votação proporcional e o sentimento aparente varia de vergonha à indignação não há nada errado com a democracia em seu fundamento. A candidatura de alguém como Tiririca não passa de uma candidatura até que 1 milhão de pessoas votem nele. Houve uma decisão apoiada no princípio da maioria, que é o fundamento por definição da democracia.
Tiririca é um símbolo da democracia, abestado.
Wednesday, December 30, 2009
Ambientalista não transa
Sunday, December 13, 2009
O canal é o canal
Saturday, December 12, 2009
Dividendos excedentes
Friday, December 11, 2009
A paz do Mundo começa em voçê*
Alguém pode me explicar por que Obama ganhou Nobel da paz e Nando Cordel ainda não? Essa semana, o bronzeado, Barack Obama, foi receber o seu prêmio na Noruega. E não foi o de presidente afro-americano do ano não, e nem melhor campanha publicitária de todos os tempos. Obama ganhou o Nobel da Paz. Sim! O prêmio concedido para aquelas pessoas que têm uma “luta” relevante pela paz mundial, tipo, Madre Tereza, o Dalai Lama, Nelson Mandela, Nando Cordel... Mas, no caso de Obama não é apenas uma “luta”, mas sim uma verdadeira “guerra” pela paz. Na cerimônia de entrega do prêmio Obama reconheceu que fez muito pouco ainda, mas afirmou que vai justificar a honraria. "Estou apenas no começo do meu trabalho" disse. É verdade, mas já está correndo atrás do tempo perdido, há poucos dias anunciou o envio de 30 mil soldados ao Afeganistão. Em Copenhague, na conferência climática, o melaninizado apresentou metas insatisfatórias para a diminuição de emissão de gases que provocam o efeito estufa e, consequentemente, aumentam o aquecimento global. Também não faz muito tempo que, o presidente dos negros e latinos, anunciou que não vai poder cumprir a promessa de fechar a base militar de Guantánamo até 22 de janeiro. Que começo de trabalho, aliás!
Por tudo isso:
Alguém pode me explicar por que Obama ganhou Nobel da paz e Nando Cordel ainda não?
*É mister que o vídeo seja visto até o final para uma melhor compreensão das coisas
Tuesday, December 1, 2009
Teoria racional da Mão de Deus
A pergunta que tenho me feito é: por que cargas d'água o futebol vive envolto em polêmicas geradas por erros toscos de arbitragem? Para responder a essa questão, vamos falar um pouco de outro esporte onde isso nunca (acho que pelo menos em termos estatísticos o termo [nunca] é adequado) acontece, ignorando naturalmente a possibilidade de que tais erros sejam meramente falta de honestidade na arbitragem.
Esse outro esporte é o tênis. Quantas vezes a maravilhosa Maria Sharapova falou mal da arbitragem na carreira? Quantas vezes Steffi Graf atribuiu uma das suas poucas derrotas ao árbitro? Nunca! Isso simplesmente porque a arbitragem no tênis quase nunca erra. E por quê não erra? Eu não sei com certeza absoluta, mas tenho certeza absoluta de que o fato de uma partida de tênis ser disputada por duas (quatro nas duplas) pessoas numa quadra de cerca de 196 metros quadrados e arbitrada por um juíz principal e 8 auxiliares tem alguma influência nisso.
Enquanto isso, uma partida de futebol é disputada por 22 pessoas numa quadra de quase 7900 metros quadrados e arbitrada por um juíz principal auxiliado por dois malditos bandeirinhas. Se o leitor quiser, faça as relações árbitro/área e árbitro/atleta em cada uma das situações e depois imagine onde é mais fácil a conduta desviante da regra ser identificada pela autoridade competente. É por isso que existem tantos erros de arbitragem no futebol.
E o que tem isso a ver com teorizações sobre o comportamento social? Na verdade, a iluminação sobre isso está relacionada menos ao erro do juíz do que a tendência ao embuste por parte do jogador de futebol profissional. O jogador sabe intuitivamente que a capacidade do árbitro de aplicar a regra é diminuída pelas próprias condições sociais características do jogo. Sendo assim, ele sente-se incentivado a burlar as regras quando a burla representa um benefício para ele individualmente e/ou para o seu time. Já que o controle é baixo, normalmente a possibilidade de benefício é um incentivo suficiente à adoção de um comportamento irregular.
No caso do francês, o controle só pôde ser exercido depois que as câmeras de tv mostraram a fuleiragem. Mesmo assim, foi um controle a posteriori e com fortes apelos à ética e à honestidade esportivas. Assim, o jogador tomou a atitude de falar o que falou sobre o que fez, mas o fato é que a merda já tinha sido feita e a tentativa de transormar ela em uma coisa menos asquerosa tem muita chance de ser uma merda maior ainda. Não obstante, há de fato uma situação institucional no que diz respeito a valores que precisam ser realizados pelos indivíduos quando estes agem em ambientes sociais. Mas parece que a influência desse aspecto em condicionar comportamentos, pelo menos nesse caso, foi nula. Afinal, a Mão de Deus operou com eficiência.
Situações institucionais costumam condicionar o comportamento dos seres humanos, mas é muito ingênua a tendência de supervalorizar o poder dos aspectos éticos e morais de tais situações. Por outro lado, quanto mais impossibilitado externamente (já que ética e moral são elementos quase que psíquicos da condição humana) um indivíduo estiver de adotar uma conduta irregular mais é provável que ele não a adote. E isso vale praquela coisa chamada política partidária que tanto enoja os incautos defensores da moralidade.
Sunday, November 29, 2009
Crise uma porra!
O que Pernambuco conquistou na história do futebol pentacampeão mundial? Porra nenhuma! As conquistas são mínimas. Logo, não dá pra existir crise. Tirando uma ou outra campanha, os times daqui jogam embaixo da tabela quando estão na primeira divisão. Sendo assim, a segunda divisão é o destino adequado.
Pernambuco consegue ter um futebol relevante no Nordeste, o que não quer dizer porra nenhuma. Comparando com um estado que está fora do eixo Rio-São Paulo, a gente nota que coisa patética é o futebol pernambucano. Peguemos o Rio Grande do Sul. Cinco Campeonatos Brasileiros, seis Copas do Brasil, três Libertadores, uma Sulamericana, dois Mundiais Interclubes.
Sem mais delongas, os times daqui estão no lugar certo.
Wednesday, October 14, 2009
Bastardos Inglórios: a decepção
Saturday, February 14, 2009
Surfista chato e skatista legal
A melhor abordagem para uma questão dessas vem da teoria econômica, aplicada à teoria social. Esse problema se relaciona à questão da disputa por recursos escassos. O skatista tem a rua inteira para evoluir os seus movimentos. A rua é pública e condições externas exercem pouca influência nas condições que possibilitam a prática do esporte. No surf, a coisa é diferente. Para surfar são necessárias ondas e estas precisam cumprir determinados requisitos para serem adequadas à prática do esporte. Sem onda boa, não há surf. Logo, existem condições de vento, de maré e de topografia submarina influenciando na prática do esporte. Sendo assim, não é comum que ondas surfáveis abundem por todo o litoral, exceto em alguns picos definidos. Ainda salientemos o fato de que se houver muitos surfistas, a quantidade de ondas não vai aumentar por causa disso.
Há muito espaço nas ruas e os skatistas não têm necessidades muito grande de disputá-lo para praticar o seu esporte. Sendo assim, nenhum outro skatista é um potencial rival. No caso dos surfistas, há poucas ondas e outros surfistas só podem ser vistos como concorrentes.
Muitos dos críticos do liberalismo, tendência filosófica que, dentre outras coisas, acredita na possibilidade de que problemas interacionais (incluindo os internacionais nisso) serão resolvidos mediante a cooperação dos atores envolvidos, afirmam que tais possibilidades só se manifestam quando as situações são de abundância de recursos e que essas situações não são a regra na vida social.
A primeira premissa me parece óbvia. O seres humanos costumam concorrer, não por nenhum problema na sua natureza, mas simplesmente porque eles precisam garantir sua sobrevivência por meio da satisfação das suas necessidades (sendo essas entendidas da forma mais ampla possível). E para isso eles precisam controlar recursos que via de regra apresentam alguma limitação para que o seu usufruto seja universal. E isso sugere que há grande possibilidade de a segunda premissa ser verdadeira.
No mais, haverá muita raberação nos picos de surf por aí.
Tuesday, November 25, 2008
Cada atividade profissional tem o Deny que merece
Tuesday, October 28, 2008
O boêmio e o surfista
Friday, October 10, 2008
Auto da crise econômica
primeiro ato
credor diz pro devedor:
- eu te empresto esses 10, mas vc me paga 12, blz?
devedor responde:
- blz, meu jovem!
segundo ato
credor diz pro terceiro:
-lembra daqueles 12 que eu te pedi?
terceiro responde:
claro, seu filho da puta! vai me pagar quando?
credor responde:
vou te pagar quando o devedor me pagar os 12 que me deve.
terceiro ato
crise no sistema
Wednesday, October 8, 2008
Reflexão estético-sociológica sobre o bigode
De tanto que caiu em desuso, a palavra “bigode”, por si só, já soa estranha e pejorativa. Bi-go-de. Pesquisando na memória virtual coletiva, a internet, não achei nenhuma explicação acreditável para sua etimologia. Num blog concorrente achei isso.